terça-feira, 24 de novembro de 2015

Batismo de Crianças na Umbanda

Batismo de Crianças na Umbanda
Imagem: Reprodução / Erica Catarina Fotografia
O batismo de bebês e crianças é um momento sublime e de grande importância. É neste momento em que a criança recebe as bênçãos e a proteção da espiritualidade.
É importante lembrar que não somente bebês e crianças podem ser batizados desta forma, mas também adultos que desejarem ter a bênção da Umbanda e dos sagrados Orixás. 


Ritualística
1. Bater a cabeça
2. Defumação
3. Firmeza de tronqueira
4. Abertura
5. Louvação a Umbanda/Hino da Umbanda
6. Oração
7. Sacramento:
Depois de o sacerdote acomodar a família e os padrinhos, a criança é apresentada a todos os Orixás, em forma de pontos cantados. Primeiro a Oxalá, orixá maior. Depois Oxum, a yabá da maternidade e zeladora de todas as crianças. Posteriormente, todos os outros Orixás cultuados na casa e então Cosme e Damião, protetores das crianças;
A criança é consagrada com a vela (a iluminação);
Depois o pó de pemba cruza partes do corpo (simbolizando a lei de Umbanda);
O azeite cruza o chakra frontal (símbolo da proteção divina e dos quatro elementos);
O sacerdote e os padrinhos lavam o chakra coronário com a água de cachoeira;
O sacerdote batiza, os padrinhos fazem os juramentos, canta-se um ponto de batismo e a criança é apresentada aos convidados.

Local
Terreiro de Umbanda.

Elementos do ritual
Água de cachoeira, azeite consagrado, pó de pemba branca virgem e vela branca de batismo.


  • Este ritual é do pai Pedro Luís Togni, sacerdote do Grupo de Umbanda São Miguel Arcanjo, localizado em Poços de Caldas/MG.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Linha de Sereias

Linha de Sereias
Imagem: Representação popular das Sereias. Editadas em conjunto / Google

As Sereias, também conhecidas como Povo D'Água, são elementais da água. São seres encantados que vibram no 5º Plano da Criação. Essa linha abrange Sereias, Ondinas e Ninfas, seres que habitam os mares, rios, cachoeiras, lagos e lagoas. Todas são chamadas de Sereias para facilitar.
A linha é regida por Yemanjá, mas encontramos Sereias de Yemanjá, Oxum e Nanã Buruquê, cada uma na vibração dessas iabás.
Geralmente, relacionam Sereias a Yemanjá, Ninfas a Oxum e Ondinas a Nanã, tanto que é possível notar algumas diferenças em suas manifestações.
Dizemos manifestações porque o "mecanismo" de incorporação desta linha é diferente das demais. Elas mais irradiam sua energia do que propriamente incorporam.
Possuem uma manifestação sutil e são muito leves em seus movimentos. Podem girar, dançar, ficarem sentadas ou movimentarem-se com leveza. Algumas emitem sons, que são como mantras que desagregam miasmas. Não falam.
Limpam profundamente o terreiro e trazem muita paz e tranquilidade ao médium. Possuem em si as qualidades de Yemanjá e do fator aquático: equilibram, purificam, transmitem emoções doces e promovem a geração de novas ideias.

Não devem ser confundidas, entretanto, com as Sereias das lendas. Não são seres que cantam para "levar consigo" os mais desavisados. Todos os elementais são puros e naturalmente bons, trabalham a favor do bem estar do planeta, do equilíbrio da natureza. Num terreiro de Umbanda não é diferente: quando são chamadas, prestam o bem limpando e energizando o ambiente e todas as pessoas presentes. E para chamá-las, basta cantar pontos de Yemanjá (principalmente), Oxum, Nanã e pontos da linha de Sereias.


Símbolos de representação da linha: Sereias, ondas.
Cores: Azul
Elementos de Oferenda: Elementos de Yemanjá. Flores brancas, frutas aquosas, conchas e ervas.
Pontos de Força: Mares, rios, cachoeiras, lagos e lagoas.

_______________

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Carta Magna de Umbanda

Carta Magna de Umbanda
Imagem: Reprodução / Google
Hoje a Carta Magna de Umbanda será promulgada na Câmara Municipal de São Paulo. É um importante passo para nossa Umbanda!
A Carta Magna é um documento, uma diretriz dos fundamentos da Umbanda. Foi escrito por diversos umbandistas nos fóruns realizados.
Como dito no site oficial do Congresso, a Carta não pretende impor ritualísticas e modos de trabalho únicos. A Umbanda é diversa e plural e continuará sendo; a carta apenas norteia os fundamentos da religião (assim como qualquer religião possuem os seus). A atualização do documento está previsto para 2017, e todos aqueles que quiserem participar, basta se inscrever no site na época em que for liberado. 

No fim dessa postagem deixei dois links. Façam a leitura!
Segue o texto da Carta:

1. Umbanda é uma religião espiritualista de doutrina afro-indígena-euro-brasileira.
2 . É uma religião monoteísta, que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno onipotente, onipresente, soberanamente bom e justo.
3. A Umbanda crê e cultua de forma própria os Orixás Africanos sincretizados com os Santos Católicos, Guias e Mentores Espirituais que, como ministros de Deus, zelam e O auxiliam na realização de Sua obra.
4. A Umbanda crê na reencarnação e na incorporação das entidades espirituais, em vidas sucessivas, no aprimoramento espiritual e aperfeiçoamento do ser humano para conduzi-lo a Deus.
5. O espírito denominado Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no médium Zélio Fernandino de Moraes no dia 15 de novembro de 1908, em São Gonçalo das Neves / RJ – data que reconhecemos como sendo o nascimento da Umbanda - anunciou: “Com os espíritos evoluídos e adiantados aprenderemos; aos atrasados ensinaremos e a nenhum negaremos uma oportunidade de comunicação”.
6. A Umbanda considera a natureza com tudo que ela encerra como a obra máxima do Criador, sendo o altar de Deus – o lugar onde se pode com Ele conversar, porquanto, preservar a natureza é obrigação de fé de cada umbandista.
7. A Umbanda é uma religião sincrética fruto da cultura religiosa de três segmentos: branco do elemento europeu, colonizador; negro – escravizado na África para laborar na terra e o indígena que já ocupava esta terra, portanto, não admite qualquer forma de preconceito, discriminação ou intolerância.
8. A Umbanda tem liturgia e ritos próprios derivados da diversidade de raças e culturas que a fundamentam. São práticas litúrgicas umbandistas:
8.1 - A preparação e formação mediúnica e sacerdotal;
8.2 – O Batismo;
8.3 – O Casamento;
8.4 – Os Ritos Fúnebres.
9. Constituem símbolos da Umbanda:
9.1 O Hino a Umbanda;
9.2 A Bandeira da Umbanda;
9.3 O Juramento Umbandista.
10. Sendo a Umbanda a manifestação do espírito para a prática da caridade deverá sempre ser exercida sem remuneração, salvaguardada a sustentação financeira da organização religiosa.
11. O adepto da religião de Umbanda deve sempre seguir a ética religiosa e a lei dos homens.
12. Todo irmão umbandista que desejar fazer parte do corpo mediúnico de um Templo deverá prestar o “Juramento Umbandista”.
13. A Umbanda defende uma sociedade em que todas as religiões sejam igualmente respeitadas, a promoção da tolerância como princípio republicano e a preservação da educação pública laica.
14. A Umbanda será sempre uma casa de portas abertas para todos.

Justos e perfeitos, os subscritores desta, a qual estará aberta a adesões, reafirmam o compromisso permanente com o engrandecimento da Umbanda e seus valores magnos.


São Paulo, 13 de novembro de 2015.


Federação Umbandista do Grande ABC
Babalaô Ronaldo Antonio Linares

União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil
Jamil Rachid (Pai Jamil)

Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo
Carlos Roberto Salun (Pai Salun)

Organização Federativa de Umbanda e Candomblé do Brasil – Primado do Brasil
Presidente Maria Aparecida Naléssio 

Supremo Órgão de Umbanda e Candomblé dos Filhos de Tupinambá do Estado de São Paulo
Reinaldo dos Santos Tupinambá (Pai Reinaldo)

Associação Beneficente Paulista de Umbanda
Edson Izidro dos Anjos (Pai Edson)

Associação de Umbanda Espiritualista do Estado de São Paulo
Sandra Santos

União Regional Umbandista da Zona Oeste Grande São Paulo
Cláudio Franco de Lima (Pai Cláudio)

Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Diadema
Cássio Lopes Ribeiro (Pai Cássio)

Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira
Waldir Persona (Pai Valdir)

União Municipal Umbandista de Guarulhos
José Juvenal dos Santos (Ogan Juvenal)

Associação Brasileira dos Umbandistas e Candomblecistas
Marco Campos

Dr. Hédio Silva Jr., Advogado, Mestre em Direito Processual Penal e Doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP, Consultor Jurídico da FUG "ABC"

Dra. Juliana Ogawa, membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP e Assessora Jurídica da AUEESP e do Primado do Brasil


AVANTE FILHOS DE FÉ! COMO NOSSA LEI NÃO HÁ!
_______________

Fontes e Links Úteis:
Site oficial do Congresso Nacional de Umbanda
Fraternidade Espírita Cristã

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Conhecimento dos Guias Espirituais

Conhecimento dos Guias Espirituais
Imagem: Reprodução / Google
Há algumas semanas estava vendo uns vídeos do sacerdote Alan Barbieri e ele falou algo interessante sobre o conhecimento terreno dos Guias, o que me fez lembrar de algo acontecido há muito tempo no terreiro em que trabalho. Vejo que algumas pessoas ainda sentem muita dificuldade em entender coisas básicas sobre os Guias Espirituais e a Umbanda em geral, e isso acontece não só por falta de conhecimento sobre a própria religião, mas também por pura preguiça de refletir sobre. Sim, preguiça. Se acomodar com a informação que vem prontinha, sem questionar ou refletir por si próprio.
E uma coisa que eu vejo que muitos umbandistas ainda não compreendem muito bem, é quão grande o conhecimento do Guia é, e não apenas sobre a espiritualidade - conhecimento terreno também.
O que o Alan disse foi basicamente isso: o Guia entende sim de muita coisa sobre o nosso mundo atual, afinal de contas, ele precisa conhecer nossas necessidades para entender nossos desejos e angústias.
O conhecimento espiritual de um Guia pode ser muito, muito extenso. Claro que pode variar conforme grau de evolução. Sempre pensamos que um Guia de direita tem mais evolução que um Guia de esquerda, o que não é verdade; um Exu pode ter tanta evolução quanto um Caboclo, por exemplo. Os Guias, ao se tornarem entidades da Umbanda, são preparados para trabalhar conosco. Muitos já são designados para nos auxiliar em nossa evolução, especificamente. Não param de evoluir e sempre trabalham para o bem.
Mas tem um detalhe: você tem que se permitir vivenciar tudo o que o Guia quer compartilhar com você. Dê abertura. Vejo que a Umbanda não é mais a velha história de "deixa que o Guia se vira", você é tão responsável quanto ele. Você também precisa conhecer coisas, estudar e se esforçar. Abrir a cabeça e permitir que o Guia te ensine. E isso inclui o Guia dos outros, pois todo conhecimento que temos veio da Espiritualidade.
Aprenda outros ensinamentos e debata com si mesmo, com seu Guia. Veja se aquele novo ensinamento "bate" com o que teu Guia quer e espera do seu trabalho. Cada Guia tem um ponto de vista diferente e sabe o que é melhor pra você.
Sabendo disso, fica claro entender que o Guia conhece sim as coisas do meio em que vivemos; estão conosco o tempo todo. Se entendem nossas necessidades e compreendem o que é melhor pra nós em nossa vivência na terra, é porque sabem como é o mundo hoje. Nada mais natural.
Sabem o que são os carros, os computadores e diversas outras tecnologias. Já ouviram nossas músicas!
A questão é que não importa falar disso, o objetivo dos Guias em terra é outro. Basta apenas saber o que essas coisas significam para nós, porque são importantes.

Se você acha que a entidade é boba e não sabe nada do que acontece por aqui, tudo bem... Mas não limite o poder de conhecimento de um espírito. O aprendizado é eterno! Lá e aqui.

Paz e luz!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Dia de Finados na Umbanda

Dia de Finados na Umbanda
Imagem: Reprodução / Google
O dia de Finados vem da tradição que marca o Samhain, a passagem do ano do povo celta.
No festival do Samhain era celebrado (também) a vinda dos espíritos dos mortos para a Terra, para que visitassem seus entes queridos. E assim se tornou o dia de Finados, ou Dia de Todos os Mortos: uma forma de homenagear aqueles que um dia viveram no meio de nós.
Na Umbanda, o dia de Finados também é dia de homenagear Omolu, o Orixá curador que rege o desencarne (inclusive foi assim que Omolu ganhou fama negativa).
A morte não deve ser tratada como um tabu - é parte da natureza! Todas as coisas que nascem no universo, morrem um dia. E Omolu é o senhor das passagens de um plano para outro, de uma dimensão para outra, de um estado ou condição para outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa, pois atua diretamente no processo reencarnatório, como Nanã. É um Orixá que cuida da evolução dos seres, das criaturas e das espécies. É a profundidade da terra, tudo que é gerado dela (e volta para ela). As irradiações de Omolu garantem o equilíbrio da Criação.
Junto à Omolu têm-se Yansã, que dentre outros domínios, também controla os eguns (espíritos dos mortos), mostrando o caminho a ser percorrido por aquela alma.
Desta forma, a morte nada mais é que o fim de um ciclo e o início de outro. Morremos no mundo terreno e nascemos para a espiritualidade.
O dia de Finados deve ser celebrado com saudades, sim, mas nunca com tristeza.

Paz e luz!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Linha de Malandros

Linha de Malandros
Imagem: Malandros da Umbanda. Editadas em conjunto / Google

A Linha dos Malandros é uma linha nova, poucos terreiros trabalham com ela. Essas entidades trabalhavam (e muitas delas ainda trabalham) junto às linhas de Baiano, Exu e Pomba Gira, conforme afinidade do Guia.
Essa linha traz para dentro do ambiente Sagrado os excluídos da sociedade. Espíritos que em alguma encarnação, por conta do preconceito racial, foram considerados párias e marginalizados pela sociedade, mas que lidaram com essa adversidade sem perder sua fé, sua identidade e seu bom humor, certamente que já apresentavam um bom nível pessoal de evolução. E após desencarnarem continuaram suas evoluções, até alcançarem um Grau perante a Espiritualidade, o qual lhes permitiu voltar a Terra na condição de Guias Espirituais, para nos reconduzir ao Divino. Ao mesmo tempo, a Linha dos Malandros simboliza a aproximação dos excluídos com o Divino e ainda, para todas as pessoas, a possibilidade de uma reflexão sobre o preconceito e as exclusões sociais.
Mas, afinal, alguns se perguntam o quê um “malandro” teria para nos ensinar, qual seria a sua contribuição dentro da religião... Primeiro, cabe lembrar que não estamos falando do “malandro” no sentido vulgar da palavra. Os Espíritos que se apresentam na Umbanda dentro da Linha que corresponde ao Grau Malandro vêm nos ensinar a flexibilidade, a capacidade de adaptação diante dos obstáculos, o “jogo de cintura” e o bom humor, que se obtêm através do sentimento de fé na vida e em si mesmo e do equilíbrio das emoções, dos pensamentos e dos sentimentos. De alguma forma, em algum momento das suas existências, eles vivenciaram tudo isso e podem nos auxiliar. Os Malandros nos ensinam:
- Que a vida é feita de experiências e toda experiência visa a nos ensinar algo de positivo;
- Que não há obstáculos insuperáveis, pois isso nos condenaria à destruição, o que é inconcebível porque não há “morte” em nenhum ponto do Universo e sim, transformações que promovem renovação e evolução constantes;
- Que é preciso confiar nas Leis da Vida e manter a alegria e o bom humor, para estar em sintonia com faixas vibratórias positivas e atrair a cura espiritual, emocional, mental e física, pois todo filho de Deus é um co-criador.

Sua linguagem é altamente simbólica. Muitas vezes, eles falam conosco e comparam a vida a um jogo de cartas ou de dados:
Nesse jogo, uma jogada ruim seria um imprevisto, uma adversidade. O que não significa a perda da partida (motivo para desespero, descrença e desistência), pois a próxima jogada (a nova oportunidade, o próximo passo) poderá ser melhor, só depende de nós;
Nesse jogo, é preciso estar atento a cada passo, observando o adversário (o desafio externo, bem como os próprios pensamentos, convicções, emoções e sentimentos), para se enfrentá-lo em melhores condições e se alcançar a vitória;
A vitória pode ser a superação do obstáculo em si. Mas a grande vitória é o entendimento das causas da dificuldade e a aceitação da nossa responsabilidade por essa realidade que de algum modo criamos. O erro ensina e nos dá oportunidade de recomeçar e acertar;
No caso de uma derrota, saber esperar outra oportunidade e tentar de novo, sem nunca desistir.
Podemos virar o jogo através da persistência, da alegria e da fé no amanhã. É a valorização da vida, da própria existência, do momento atual e de cada momento.

O seu gingado, a sua musicalidade, a sua dança e a sua “malandragem” não são simples repetições das características “dos malandros do mundo”, vamos dizer assim. Esses Espíritos não estão entre nós para fazer apologia do que foram, possivelmente, em alguma encarnação, mas para nos ensinar o que é possível extrair das lições da vida. A grande “malandragem” que eles nos ensinam é como sermos flexíveis, nos desapegando e abrindo mão de ideias antigas, para nos renovarmos a cada dia; encarar a vida com leveza, sem guardar rancores e levar tudo para o campo pessoal. Não perder o humor e estragar um dia por causa de um obstáculo, por maior que pareça. Aprender com os próprios erros, para não repeti-los, pois quem anda atento na vida não vive caindo em buraco.
No aspecto social, a Linha dos Malandros simboliza a inclusão de negros, mulatos e mestiços que viviam marginalizados em nossa sociedade desde o período pós-abolição. Claro que os Espíritos que tiveram uma encarnação assim, como excluídos, continuaram evoluindo e não precisam ser incluídos em nosso meio social. Nós é que precisamos refletir sobre as exclusões que já aconteceram e ainda acontecem por aqui, baseadas em preconceitos, para não repeti-las. E só alcançaremos isso a partir de uma conduta fraterna e de respeito integral ao “outro”. Por outro lado, a presença desses Espíritos nos Terreiros de Umbanda, acolhendo a todos com sua alegria e suas magias, é um braço de atração dos mais humildes, que se identificam com essa maneira despojada de ser, despertam a autoconfiança e podem melhor se expressar e progredir. Existiria melhor exemplo de “aprender com os erros”?
Quanto à questão social, vale lembrar que a abolição da escravatura não pôs fim ao preconceito racial. Historicamente, continuou existindo em nosso país um preconceito velado em relação aos homens e mulheres de pele negra, aos mulatos e aos mestiços. Quando se fala em “malandro”, na linguagem cotidiana, a primeira ideia que nos ocorre é a do boêmio, do jogador inveterado de cartas ou de dados, do amante da noite, da música e das rodas de danças, que vivia de expedientes, carregava navalha ou faca e fugia da polícia.
O “malandro” carioca faz lembrar aquele que vivia na Lapa, que gostava de samba e passava as noites na gafieira, chegando a ser personagem de peças teatrais, de músicas e de muitas histórias. Já o “malandro” de Pernambuco vivia nas danças do coco e do xaxado, passando as noites no forró. O que eles têm em comum? Eram todos marginalizados pela sociedade, vistos como “gente à toa”. Porém, sobreviveram a esse clima adverso, vivendo sem acesso a uma boa instrução ou a bons empregos; nem sempre conseguiram, senão com muita dificuldade, dar alguma instrução aos filhos. Nem por isso perderam a alegria, o gosto pela
música e pela dança, pelo carteado, pela conversa noite adentro, de alguma forma conseguindo manter suas raízes religiosas e tradições ancestrais, dando “um jeitinho” de ser feliz.
Por trás dos arquétipos da Umbanda, vamos encontrar, na maioria das vezes, a Mão da Espiritualidade Superior a corrigir grandes equívocos e injustiças sociais e a nos fazer refletir, enquanto nos auxilia nos problemas do cotidiano. E hoje temos, na presença da Linha de Malandros, uma excelente oportunidade de refletir sobre algumas questões, em especial: primeiro, que nem tudo que parece ruim de fato o é; e segundo, que de tudo se pode extrair algo de bom e de positivo. Do que poderia ter sido uma experiência de todo ruim, esses Espíritos extraíram uma lição de flexibilidade. E aquilo que para uma sociedade hipócrita parecia ser neles um mal, era, muito ao contrário, a prova de valor de um povo que manteve fidelidade às suas raízes e não se deixou vencer pelo meio hostil. Os Malandros vêm até nós, pelas Mãos do Alto, para nos ensinar “a boa malandragem”: fazer limonada com os limões azedos que recebemos dos outros; escorregar e levantar rapidinho, sem perder a compostura e a elegância, e já sair dançando e cantando; aprender a jogar “o jogo da vida” e ser um bom parceiro de jogo, aprendendo a rir das tristezas e de si mesmo; assumir o que se é, sem hipocrisias, e fazer todo o Bem que se possa; não se prender a padrões e valores externos, mas ficar centrado em si mesmo e na sua fé.
Pensar que os Malandros podem nos ensinar tudo isso brincando, de um jeito tão despojado, é o bastante para se quebrar o velho ditado que dizia: ”de onde não se espera é que não sai nada”. Porque as aparências enganam! Então, não vamos viver de aparências e nem pelas aparências. Vamos viver a vida com Amor, Respeito e Fé. Vamos acreditar em nosso poder interior, que é Deus em nós. Vamos aprender a nos centrar e a nos conhecer intimamente, despertando nossas capacidades e valores acumulados ao longo desta e de outras encarnações e que ainda dormem dentro de nós, mas que podem ser despertados pelo nosso querer, por nossa vontade de superar as dificuldades, por nossa firme determinação de curar nossos pensamentos menos felizes e de encontrar respostas para as nossas necessidades, para enfim chegarmos a um caminho de felicidade, aqui e agora.
Nos Terreiros que adotam vestimentas características, quando incorporados em seus médiuns, os Malandros se apresentam vestidos com camisas listradas, alguns com camisas de seda, outros de terno e gravata brancos e chapéu ao estilo Panamá e às vezes de palha. Usam sapatos brancos, ou então bicolores (branco/preto; preto/vermelho) e gravata vermelha. Alguns usam cartola; outros, uma bengala (cajado). As mulheres adotam roupas diversas. Uma figura bastante conhecida dentro desta Linha é Seu Zé Pelintra. Seu Zé, como é conhecido popularmente, é uma Entidade peculiar, pois tanto se manifesta na Direita quanto na Esquerda. Como todo bom malandro, sua flexibilidade é seu ponto forte: seja como for, ele é um Guia a serviço da Luz.


Símbolos de representação da linha: Chapeu, navalha, punhais, baralho, moedas, etc.
Cores: Branco e vermelho, branco e preto, preto e vermelho.
Ferramentas: Baralho, moedas, navalhas, punhais, dados, dendê, etc.
Flores: Rosas e cravos vermelhos e brancos.
Comidas: Coco verde, lascas de rapadura, carnes, farofas, etc.
Bebidas: Aguardente, cerveja clara, cerveja escura, licores, uísque, etc.
Fumo: Charutos, cigarrilhas, fumo de corda, ervas enroladas na palha.
Pontos de Força: Ruas e encruzilhadas.
Saudação: Salve a malandragem!

_______________

Fontes:
Adaptação do texto original postado no site Instituto Cultural Sete Porteiras do Brasil.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os Quatro Elementos Naturais e os Elementais - Parte 2

Os Quatro Elementos Naturais e os Elementais - Parte 2
Imagem: Reprodução/Google
Os elementais (também conhecidos como Devas) são espíritos da natureza, naturalmente puros. Não possuem forma específica já que são etéricos, mas já foram observados algumas vezes e se plasmaram para nós de uma forma que pudéssemos compreender (vide imagem).
São co-criadores de tudo que existe na natureza (exceto os animais), nada acontece sem sua interferência: desde a preparação de um solo à formação de uma rocha. São seres divinos, inteligentes e trabalhadores incansáveis. Mesmo que não possamos vê-los, estão o tempo todo trabalhando pelo nosso planeta - estão em todos os lugares.


Classificação

Elementais do Ar
Silfos, entidades de poderes mágicos que os diferem dos outros espíritos da natureza por serem de uma constituição sem forma definida, uma massa semi-sólida de substância etérea. Exemplo: Fumaça, efeitos de luz através dos pirilampos, Aurora Boreal, arco-íris, etc.
No terreiro, manifestam-se não só através dos ventos, como da fumaça dos defumadores e incensos. Movimentam as energias negativas, dissipando-as. Potencializam fluídos positivos, transportam energias para todos os cantos da casa e as pessoas presentes.

Elementais do Fogo
Salamandras, entidades diretas do fogo, que não possuem forma definida. Tem-se, quando as vemos, a impressão de uma forma fundamentalmente humana, o rosto, quando não é velado pelas chamas, é de aparência humana, mas na maior parte das vezes apresentam-se na forma de lagartixas, camaleões ou escorpiões.
No terreiro, manifestam-se através da chama das velas, na queima da pólvora, queima de materiais em alguidares, queima das ervas para defumação, etc. Queimam larvas astrais, ativam magias, energizam e fortalecem os trabalhos.

Elementais da Água
Sereias, ondinas e ninfas, que são entidades do amor, que vivem nas águas do mar, lagos, lagoas, rios e cachoeiras, semelhantes às graciosas mocinhas de cabelos longos que vemos nos mais diversos contos folclóricos. Comandam toda a fauna aquática e podem encaixar (incorporar) na forma de sereias, serpentes marinhas, gaivotas, etc.
No terreiro talvez seja o elemento mais utilizado. Possui energia altamente condutora, manifestam-se através das águas nas quartinhas, copos de firmeza dos Anjos de Guarda, batismos, etc. Realizam grande limpeza, purificação e energização do corpo astral e da casa. Equilibram e acalmam.

Elementais da Terra
Gnomos e Duendes, que são entidades que habitam as florestas e lugares desertos. Têm a forma semelhante aos anões e atuam sobre tudo e sobre todos os que habitam ou transitam nas matas e florestas, dando sinais através de Bicho de Pau, cobras e aves como a Graúna, Melro e semelhantes.
No terreiro, manifestam-se de forma muito fácil (como os silfos) porque estão presente em todos os lugares, por ser o próprio chão. Estão presentes também nos assentamentos. A razão pelo qual os médiuns trabalham descalços (e que os consulentes preferencialmente sejam atendidos descalços também) é para estar em contato direto com a terra, para que os elementais transmutem as energias negativas que o corpo envia, reenviando energias equilibradoras, regeneradoras, estabilizadoras, etc.

Elementais "Mistos"
Dragões: entidades de todos os elementos (dragões do ar, fogo, água e terra), são como divindades do Reino Elemental. Concebem a realidade elemental e sustentam os demais seres.
Unicórnios: são sentinelas, guardiões de todo o Reino.
Fadas: Alguns acreditam ser apenas do ar, outros que pertencem a todos os elementos (como os dragões). São rápidas e possuem alto poder de realização.
Elfos: São entidades em muito semelhante aos silfos, sem forma corpórea definida, pois aparecem da combinação do Ar e do Fogo sobre os metais. São beliscosos.
Avissais: São entidades que entrelaçam os elementos da terra e da água, e apresentam-se em massa disforme, porém bem densa e atuam na água e na terra.


Atuação com Orixás e Guias Espirituais
Os Orixás, como forças da natureza, são os regentes da energia elemental. Quando pedimos a Omolu que transmute, através da terra, nossos sentimentos negativos, estamos pedindo também aos elementais da terra, já que os duendes e gnomos operam junto à Omolu. E assim o é para os outros Orixás e seus respectivos elementais (silfos para Yansã, sereias para Yemanjá, salamandras para Xangô, etc).
Os Guias Espirituais também interagem com os elementais a nosso favor, seja incorporados nos terreiros (através de seus alguidares com fogo, fumos, potes com água, etc) ou na Espiritualidade atuando diretamente com eles. Tudo na natureza e na espiritualidade convive em perfeita harmonia, em suporte mútuo para o bem do planeta.


Características e Trato
Os elementais não se contaminam com dúvidas dissociativas, com egoísmo ou com inveja, como acontece com os homens, a não ser que sejam deturpados. Predominam neles inocência e ingenuidade cristalinas. Prontos a servir, acorrem solícitos ao nosso chamamento, desejosos de executar nossas ordens (de preferência, a serviço do bem maior sempre). Nunca devemos utilizá-los em tarefas menos dignas, ou a serviço de interesses mesquinhos e aviltantes. Aquilo que fizerem de errado, escravizados por nós, refluirá inevitavelmente em prejuízo de nós próprios (Lei do Karma). Além disso, devemos utilizar os seus serviços na justa medida da tarefa a executar, para que eles não se escravizem aos nossos caprichos e interesses. Nunca esqueçamos de que eles, como nós, são seres livres, são partes da Natureza e nela fazem sua evolução; e que nós mesmos para chegarmos onde hoje estamos, passamos por esse processo de evolução. Podemos convocá-los à serviço do amor e para o bem de nossos semelhantes já que, com isso, lhes aceleramos a evolução. Mas é preciso respeitá-los; as Leis Divinas devem ser observadas. Terminada a tarefa que lhes confiamos, cumpre liberá-los imediatamente, agradecendo a colaboração e pedindo a Deus que os abençoe; é de nossa inteira responsabilidade o trato com elementais e devemos fazê-lo com atenção.


Altar Elemental e Oferendas
É possível montar um altar no terreiro e em nossas casas para mantermos um maior contato com estes maravilhosos seres. Basta ter um pouco do elemento (água, vela acesa para o fogo, incenso para o ar, cristais e/ou plantas para terra). Elementos como frutas, mel, grãos, óleos, entre outros, podem ser oferendados. As cores de velas podem ser verde para terra, azul para água, vermelho para fogo e amarelo ou branco para ar.


Provas de sua Existência
Os materialistas não acreditam na existência dos Seres da Natureza alegando não serem visíveis. A invisibilidade desses seres é explicada pelo fato de serem formas etéricas, habitantes de planos energéticos com múltiplas graduações, não perceptíveis aos olhos humanos. Muitas observações mostram que os elementais usam duas formas distintas: o Corpo Astral Permanente e um veículo etérico materializado temporariamente.
As ações resultantes do seu trabalho, sim, são visíveis. Como exemplo histórico, cita-se a Comunidade de Findhorn (Escócia). Num local totalmente impróprio para a agricultura fizeram surgir, com sua orientação, flores, verduras, árvores frutíferas, etc. Na ocasião (década de 60), este fato chamou atenção das autoridades governamentais do país, que mandaram examinar o local. Nos exames foi constatada ausência de qualquer ingrediente químico e que a terra havia sido enriquecida de forma natural e inteligente. Clique aqui para ler mais sobre essa história.


Por ora, sobre este assunto, é só. Aproveite com sabedoria.
Paz e Luz!

_______________
Site: Minha Umbanda
Curso Umbanda EAD: Seres da Natureza. Já foi ministrado antes, mas como acontece com alguns cursos, eles voltam depois de um tempo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...