quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Cosme e Damião e Ibejis na Umbanda

Cosme e Damião e Ibejis na Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Cosme e Damião e Ibejis. Editadas em conjunto / Google

Não há adepto, simpatizante ou mesmo pessoa externa à Umbanda que não conheça Cosme e Damião. Apesar disso, pouco sabemos de sua história. Dessa forma, a intenção dessa postagem é de agregar esse conhecimento ao nosso estudo umbandista e nos aproximar ainda mais dessa energia.


Quem são Cosme e Damião?
Irmãos gêmeos e médicos por profissão. Viveram no Oriente e, desde jovens, eram reconhecidos por sua habilidade como médicos. Levavam a muitos a saúde do corpo e da alma, sem cobrar nada por isso.
É dito que viveram na Ásia Menor, até que, devido à perseguição de Diocleciano, no ano 300 da Era Cristã, foram presos por serem considerados inimigos dos deuses e acusados de usar feitiçarias e meios diabólicos para disfarçar as curas. Tendo em vista essa acusação, a resposta deles era sempre: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo Seu poder!”. São Cosme e São Damião jamais abandonaram a fé cristã e foram decapitados no ano de 303.
Na Umbanda, são protetores das crianças e figuras importantes em trabalhos de cura.


E quem é Doum?
Doum é o nome dado ao primeiro filho após o parto de gêmeos. Alguns acreditam que Doum era irmão de Cosme e Damião, e que veio a falecer ainda em tenra idade. E segundo a crença, é por isso que Cosme e Damião se dedicaram à medicina; para que pudessem curar todas as crianças e pessoas que necessitassem.
Outra crença acredita que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna neste mundo. Mas, embora não apareça de forma física, segundo contam, Doum também é venerado e respeitado como parte da família dos Ibejis, considerado “aquele que não veio”. Por isso, o mito de Doum também serve de consolo quando uma criança morre bebê ou ainda no ventre materno. Nesses casos, a partida é entendida como o retorno de um desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiu se despedir.
De qualquer forma, é por isso que algumas imagens possuem o terceiro menino, mais novo, no meio de Cosme e Damião. Muitas casas de Umbanda cultuam os três.


Orixás Ibejis no Candomblé e o Sincretismo
Assim como Ogum, Yemanjá, Exu e todos os outros Orixás, Ibejis também foram sincretizados; neste caso, com Cosme e Damião. Leia esse texto para entender melhor sobre a sincretização e seu objetivo.

Ibeji, no Candomblé, é o Orixá Criança, em realidade, duas divindades gêmeas infantis, ligadas a todos os Orixás e seres humanos.
Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.
Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo, é o Orixá Erê, ou seja, o Orixá Criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.
Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência, independentemente do Orixá que a criança carrega.
Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores.


Na Umbanda: Erês
Poucas casas de Umbanda cultuam Ibejis enquanto Orixás. Chamamos Ibejis todas as crianças que incorporam e trabalham na linha de Erês. Clique aqui para ler mais.


Festa de Cosme e Damião na Umbanda
A festa de Cosme e Damião (Ibejis) é uma das homenagens mais populares da Umbanda, feita em quase todos os terreiros do país. Reúne não só os adeptos da religião, como todos os curiosos e entusiastas da alegria das festas de crianças.
Por seu arquétipo infantilizado, são ofertados doces de diversos tipos e cores aos erês. Bolo, brigadeiro, beijinho, cocada, balas, pirulitos, arroz doce, refrigerantes, sucos, etc. Os mais tradicionais servem ainda o caruru. 


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Fontes:
Site: A verdadeira história de São Cosme e São Damião por Canção Nova
Site: Cosme e Damião. Quem é Doum? por Ordem Mística de Regeneração
Site: Doum por Espiritualizando com a Umbanda
Site: Ibejis por O Candomblé

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Um "grimório da Umbanda": vamos nos organizar?

Um grimório da Umbanda: vamos nos organizar? Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
Como você se organiza com tantos banhos, rituais, ervas e receitas para se fazer em casa?
Ou melhor: você se organiza?

Ainda que você tenha facilidade para guardar informações na cabeça, uma hora você pode precisar de uma informação e simplesmente não vai lembrar, ou vai se confundir com outra coisa.

Eu, metódica que sou, tenho um caderno simples onde vou anotando, sem muita organização, os rituais que já aprendi, classificação das ervas, simbologia e outras coisas. Mas, de uns tempos pra cá, pensei em me organizar de forma mais eficiente, e como gosto de bruxaria e assuntos afins, lembrei do grimório. Então vamos lá:

O que é um grimório?
Um Grimório, também chamado de Livro das Sombras, é um livro mágico utilizado por bruxas e feiticeiros. É um livro em branco a ser preenchido pelo seu dono - com magias, ervas, rituais, fases da lua, experiências e outras informações pessoais. Tem proteção de alguma divindade e deve ser escondido; somente seu dono pode vê-lo. Todo o conhecimento de um mago é guardado neste livro, bem como suas impressões pessoais sobre o mundo e as coisas ao seu redor.

Não é o livro, é o conceito
Perceba que eu utilizei o nome Grimório somente para identificá-lo, já que o conteúdo é semelhante em alguns aspectos. A intenção é reunir as informações que você tem em um lugar só. Anotar os rituais, anotar seus banhos, anotar a classificação das ervas e os orixás e entidades correspondentes, o que quiser. Pode ser em livro todo customizado, como os grimórios, pra você se sentir o próprio mago da idade média! Mas também pode ser em caderno simples, ou documentos digitais (Word, Excel), ou ainda folhas grampeadas em pasta, não importa!

Compilando informações de diversas fontes
Você tem 08 livros na prateleira, 05 sites salvos nos favoritos do navegador, vídeos favoritados no Youtube e muitas informações soltas na cabeça de uma receita que um Preto Velho te passou, de algo que teu dirigente te ensinou no começo da gira de semana passada, lives que assistiu no Facebook, enfim. Ter um livro/planilha pode te ajudar a compilar tudo isso. Copiar os textos, anotar as informações. E dá pra fazer até um calendário-lembrete com as épocas das suas oferendas (se você tiver um programa), os banhos que precisa fazer, as restrições dos preceitos, datas das comemorações dos orixás, etc.

Pra quê?
A gente vive na era digital e tá sempre correndo, com mil informações borbulhando na cabeça. Você vai esquecer de alguma coisa. Um blog vai ser apagado. Um livro pode ser perdido. A receita na cabeça, esquecida.
A verdade é que a gente nunca sabe quando vai precisar de alguma coisa.
Pode ser interessante manter um arquivo seu, com as informações que você julga necessária para o dia a dia no terreiro e sua própria vivência na espiritualidade.

É uma ideia pra sua própria organização :)

Axé!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O deslumbramento do começo da Umbanda (e alguns enganos que se estendem)

O deslumbramento do começo da Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
Sabe aquela empolgação e deslumbramento que a gente tem no começo da vivência na Umbanda e na mediunidade? Então... Alguns dos "maus hábitos" que adquirimos nessa fase, nos perseguem anos à fio. Já li um texto falando de guias que citava esse comportamento, mas não especificando a abrangência do negócio. Resolvi escrever sobre isso agora, já que é algo que eu acredito acontecer com pelo menos 90% dos médiuns (principalmente se o médium for jovem).
Se alguém souber ou for o autor de um texto sobre o mesmo assunto, posta aí nos comentários!

A Umbanda e a mediunidade como uma grande novidade 
Não dá pra negar: a Umbanda é cheia de surpresas. Há uma grande variedade de cores, cheiros e sons. Mesmo no terreiro mais simples, a beleza da religião encanta qualquer novato.
Os médiuns em desenvolvimento ficam ainda mais deslumbrados, pois começam a vivenciar tudo "do lado de dentro", acompanhando os rituais com muita curiosidade. Muito é pesquisado e muito é perguntado, o que é muito positivo.

Tudo é espiritual
Esse é um "problema" que acompanha até uma parcela dos médiuns e consulentes mais experientes. Desordens comuns do dia a dia passam a ser vistas como demandas enviadas por terceiros, ou mesmo vibrações negativas causadas por inveja, raiva, etc. Sim, nós sabemos que tudo isso é real e que realmente nos afeta, mas também não é assim. Uma simples dor de cabeça se torna uma demanda que necessita de velas e, quiçá, trabalhos! Claro que no começo nossa energia vai se alterando, principalmente nos médiuns em desenvolvimento - a sensibilidade aumenta e passamos a sentir (e diferenciar) energias diversas, e por ser tudo novo para a maioria, a cabeça não ajuda e logo começa a fantasiar.
Muitos de nós fomos assim! Mas o importante é desenvolver também o bom senso. Como eu disse, existem sim demandas preparadas e pessoas mal intencionadas que vibram energias negativas (o famoso "torcendo contra"), mas vamos com calma!

Compras desnecessárias e enganos
Quem nunca soltou um "É pro Guia!" ?
É preciso ir devagar, porque muito se faz em nome de uma entidade e nem sempre isso corresponde à realidade. O maior exemplo disso é a quantidade de paramentos utilizados por alguns médiuns. Julgo, sim, que na maioria das vezes isso tudo é desnecessário. Por isso que aqui mesmo no blog eu separo itens de trabalho em categorias diferentes (uma para Ferramentas e outra para Vestimentas e Paramentos). Uma ferramenta é algo necessário ao trabalho do Guia, paramento nem sempre.
Agrados podem ser oferecidos, caso a pessoa possa e queira comprá-los. Um copo bonito, um anel... Porque não? Mas acho muito tênue a linha entre o agrado e a vaidade, por isso é legal ir com calma no começo pra não comprar um monte de coisas que, no fim das contas, não serão utilizadas. Perde-se um bom dinheiro com isso.

A vaidade chega junto
É preciso ter muito cuidado com a vaidade, principalmente quando se é médium. Alguns umbandistas se acham superiores às outras pessoas por """ter acesso à informações da espiritualidade que outras pessoas não tem""", com bastante aspas. No começo da mediunidade, muitos filhos acabam achando que são super herois, dotados de poderes espirituais fantásticos.

Excesso de confiança (transferência de responsabilidade)
Esse é outro que acompanha os mais experientes também. O excesso de confiança, nesse caso, refere-se à transferência de responsabilidade. Exemplo: "ninguém rouba meu carro, meu Exu protege!".
É como tirar a responsabilidade de si e depositar na espiritualidade, ignorar aspectos materiais à que todos estamos sujeitos. Ser um adepto da Umbanda (sendo consulente ou médium) não nos torna imune à tudo que nos cerca. Temos, sim, quem nos guarda e nos protege, mas convém trancar direitinho a casa antes de dormir, certo? Fazer o seguro do carro, utilizar de meios de segurança materiais. Parece meio óbvio, mas...
É preciso reforçar: a Umbanda não faz de ninguém super heroi. A Umbanda resolve sim casos materiais, mas, novamente, a linha é tênue entre o exagero e o bom senso.

Dependência de aprovação
Perguntas como "Devo ir à festa do João?", "Devo comprar uma casa agora?", "Será que eu devo sair do meu emprego?" podem ser frequentes para algumas pessoas!
As máximas da Umbanda são as orientações e os aconselhamentos, além é claro, dos passes. Quem não gosta de ter uma boa conversa com a Entidade que tem grande afinidade e carinho e sair do terreiro bem mais leve? Muitas pessoas gostam de ouvir uma palavra amiga antes de tomar uma decisão, ainda mais de um Guia! Mas muitos médiuns e consulentes acabam "viciados" na consulta, e quase não conseguem dar um passo em frente sem antes consultar uma Entidade. A religião perde seu sentido.


A Umbanda não existe pra que fiquemos dependentes dela. Cada passo, cada escolha, é de inteira responsabilidade nossa. É o livre arbítrio.
A Umbanda existe para que manifestemos nossa espiritualidade nela, de forma livre e tranquila, para nos auxiliar em nossa evolução pessoal - nos tornarmos melhores para melhorar o mundo. Algo que eu acredito que qualquer religião deve fazer: te tornar uma pessoa melhor.

Paz e luz!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A importância da harmonia numa corrente mediúnica

A importância da harmonia numa corrente mediúnica Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
O bom funcionamento de um trabalho numa casa de Umbanda depende de diversos fatores. O preparo dos médiuns, o conhecimento do ritual, as firmezas da casa, mas também a harmonia da corrente mediúnica.
E quando falo em harmonia, não falo da harmonia visual e sonora; o posicionamento dos médiuns, as vestimentas, a harmonia do canto com as palmas acompanhando o atabaque, nada disso. Embora, é claro, essa harmonia seja importante para um trabalho mais bonito e (porque não?) de maior credibilidade, mas me refiro especificamente nesta postagem à harmonia dos médiuns em comportamento e vibração.
Vamos lá!
Parece ser uma coisa óbvia pra ser discutida, mas eu acredito que a harmonia entre os médiuns auxilia E MUITO no desenvolvimento do trabalho em si, além de diminuir o desgaste energético dos próprios médiuns.

As vibrações
Eu entendo nosso campo vibratório como uma bomba de energia, e nosso humor e consciência influenciam diretamente nessa bomba (e no que ela vai emanar). E aí que "é o problema", porque se você não estiver concentrado para o trabalho que vai ocorrer, com a energia tranquila e a cabeça relaxada, você não vai cumprir seu trabalho como deveria.
Banho e defumação vai ajudar sim, mas - posso estar enganada - se você não fizer um esforcinho pra se livrar de outros pensamentos, nada disso vai adiantar.
E eu ouso dizer que ficamos muito preguiçosos, fazendo tudo no automático mesmo, achando que banho de ervas e defumação vai resolver tudo ali na hora e plim!, estaremos prontos para a gira.
Todos nós temos, sim, muitas preocupações no dia a dia. Contas a pagar, problemas no trabalho, doenças na família, conflitos, e por aí vai... Mas é preciso encontrar um jeito de se desligar de tudo isso e se jogar de corpo e alma naquilo que se está fazendo no momento, que é servir de instrumento para a caridade na Umbanda.

As desarmonias
Em qualquer corrente é possível acontecer alguma desarmonia entre membros. Membros que se conhecem fora do terreiro e possuem diferenças entre si, membros que por alguma razão brigaram dentro do terreiro mesmo, ex-namorados que frequentam a mesma casa e que terminaram o relacionamento de forma pouco amistosa, enfim... São diversas as situações. É importante, entretanto, que os membros tenham maturidade para lidar com as diferenças e entender que dentro de uma casa de Umbanda qualquer problema deve ser deixado de lado - evitar discussões e mesmo pensamentos de raiva e rancor. O dirigente deve estar atento à essas desarmonias para auxiliar no que for possível, além de orientar os filhos mais temperamentais.

Mas o que isso tem a ver com a harmonia do grupo?
O desequilíbrio de um membro da corrente altera toda a energia do grupo. Não digo desequilibrar completamente, mas altera... E todos os outros (ou ao menos os pais da casa, que são os que recebem as maiores cargas) sofrerão desgastes energéticos para manter a energia da gira equilibrada, suprindo aquela lacuna que esse membro vai abrir. Numa corrente de dez médiuns, se quatro estiverem desequilibrados, já vai dar certo trabalho pra por tudo em ordem.

E o pior é quando um dos dirigentes (ou o(a) dirigente, no caso de apenas um) estiver em desequilíbrio. Esse dirigente é responsável pela firmeza da tronqueira. Esse dirigente é responsável pela firmeza do assentamento principal. Esse dirigente é (na maioria das vezes) responsável pela defumação. Esse dirigente é o responsável pelo bom andamento da gira. E agora?
Seus filhos sofrerão diretamente o impacto desse desequilíbrio durante a gira, porque a firmeza do dirigente conta muito - ele precisa ter tudo sob controle.
Complicado, né?
Eu afirmo com segurança que qualquer dirigente sabe disso, mas é comum haver deslizes - somos humanos, afinal de contas.
Mas o que eu acredito (e isso se aplica à qualquer membro da corrente, independente de sua função), é que às vezes é preferível não trabalhar neste dia, do que "trabalhar meia-boca" e atrapalhar o andamento do trabalho.

Um Preto Velho da casa onde eu trabalho sempre diz: "se zuncê num tá bem, que bem zuncê vai fazer pro outro?"
Vá no trabalho sem o branco se for preciso, sente na frente de um Guia e se reestruture primeiro. Ou apenas fique em casa, pondo as ideias no lugar. Melhor assim!
Apenas desconfie se isso acontecer com frequência.

ORAI E VIGIAI!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Considerações sobre o dia 13 de Maio na Umbanda

Considerações sobre o dia 13 de Maio na Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
Dia 13 de Maio é o dia em que se comemora o dia das Almas (Pretos e Pretas Velhas) na Umbanda.
Essa roupagem fluídica abrange, em sua maioria, africanos que foram escravizados nas senzalas brasileiras. Junto aos Caboclos e Erês, formam a tríade da direita da Umbanda. São figuras muito importantes historicamente dentro da religião, presentes desde o seu fundamento.
São grandes benzedeiros, sábios, humildes, em geral pacientes e muito amorosos, verdadeiros psicólogos de Aruanda.
Representam, na máxima fidelidade, o poder de cura e a compaixão de Omolu e a sabedoria e amparo à evolução de Nanã, os Orixás regentes da linha (embora, é claro, cada um tenha seu Orixá regente principal, podendo variar).

Essa data foi escolhida por ter sido oficialmente a abolição da escravatura no Brasil. Dia 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, fazendo assim com que todos os escravos fossem libertos. Ainda que a lei tenha sido um marco histórico muito importante para a história do nosso país, socialmente ainda têm-se muito o que fazer; e é por isso que muitos negros não comemoram a data e alguns terreiros de Umbanda não utilizem essa data para homenagear a linha.

De acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, após o fim da escravidão, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho. “Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”.
Alexandre Braga, integrante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), explica: “O 13 de maio entrou para o calendário da história do país, então não tem como negar o fato. Agora, para o movimento negro, essa data é algo a ser reelaborado, porque houve uma abolição formal, mas os negros continuaram excluídos do processo social”. E esse é um problema que se arrasta até os dias de hoje. Além das atitudes discriminatórias do dia a dia, que já se tornaram, por vezes, comuns, vale lembrar que quase todo avanço promovido pelo Governo de forma a diminuir a desigualdade e combater o preconceito racial, é distorcido e mal visto.
Apesar disso tudo, essa data sob a ótica da Umbanda é uma forma de homenagear o povo africano que resistiu, dia após dia, aos horrores que foram submetidos e ainda assim, retornam à Terra como espíritos da seara umbandista para ajudar a quem quer que seja. É preciso muito amor e evolução para superar toda a amargura vivida e se tornar um instrumento do bem maior.
Temos muito o que aprender com nossos amados Pretos Velhos.
Que reservemos esse dia para orar aos nossos amados pretos e pretas e nos conscientizar (e agir) acerca da situação do negro no Brasil, já que a grande lição da Umbanda é se utilizar de roupagens fluídicas de grupos hostilizados na sociedade para ajudar na quebra do preconceito (negros, índios, baianos e nordestinos, ciganos, boêmios, etc.).
Pra mim, mais que uma ajuda, é um tapa na cara de cada preconceituoso que adentra os terreiros de Umbanda.

Que o dia 13 de Maio seja um símbolo de uma batalha que foi vencida. Que seja um lembrete do que ainda é preciso ser feito. Que seja um dia de renovação, um sopro de ânimo, na luta que deve continuar.

Axé!

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Fontes:
Site: Último Segundo sobre o porquê dos negros não comemorarem o 13 de maio

segunda-feira, 28 de março de 2016

Sexualidade e Gênero na Umbanda: Parte 2

Sexualidade e Gênero na Umbanda: Parte 2 Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
Essa é a continuação da primeira postagem sobre sexualidade e gênero na Umbanda (para ler a primeira, clique aqui).
Apresentado os conceitos e desconstruído alguns mitos, continuo agora com explicações sobre a visão da Umbanda sobre o sexo, troca energética e o reflexo da mediunidade. Vamos lá!


Visão do Sexo na Umbanda
O sexo é tão parte da vida quanto o oxigênio que respiramos. Não é visto como algo sujo nem pecaminoso, como algumas vertentes religiosas sugerem. Se Deus nos criou assim, com a capacidade de amar e expressar nosso amor através do sexo, porquê haveria de ser errado?
Ainda que o sexo seja feito livre de emoções profundas, é importante haver respeito e consentimento de ambas as partes.
Nas palavras de Alexandre Cumino: "... podemos definir o sexo (biológico), o corpo (soma), como masculino ou feminino. O que independe da natureza do espírito, da alma (ancestral), que também é masculina ou feminina. O mais comum é que espíritos de natureza feminina encarnem em corpos de natureza feminina e que corpos de natureza masculina encarnem em corpos de natureza masculina. Mas também é possível encarnar em corpos com o sexo diferente de sua natureza, ou seja: espírito de natureza feminina encarnado em corpo masculino e espírito de natureza masculina encarnado em corpo feminino. Assim, podemos verificar que há: mulheres com natureza masculina e homens com natureza feminina. ... As pessoas não se atraem apenas por uma questão sexual de polaridade. As pessoas também são atraídas por sentimentos de afetividade, admiração e sensualidade. Muitos amam e querem trocar amor, carinho e convivência com outras pessoas, independente do sexo ou de sua natureza. Quanto aos rótulos de homossexual, homoafetivo, heterossexual, transexual e outros são apenas títulos utilizados na tentativa de classificar o comportamento humano. Para a Umbanda, o que importa é o amor, o sentimento, o carinho, a afetividade, a convivência e, claro, o respeito."


Vícios e desequilíbrios
Fazer sexo com muitas pessoas diferentes com frequência pode ser considerado um desequilíbrio. Não que seja necessariamente errado, não é. Você, e somente você, sabe o que é bom para si mesmo, você é o dono do seu corpo, e mais ninguém. Mas é sabido que cada pessoa tem uma energia diferente, cada pessoa está situada em uma faixa vibratória. Podemos nos relacionar com pessoas de faixas elevadíssimas e outras nem tanto; energias positivas e negativas. E todas essas diferentes energias nos influenciam de algum modo. Afinal, se com simples apertos de mão já ocorre troca energética, imagina em uma relação sexual!
Portanto, a única mensagem é: cautela. Estamos sujeitos até mesmo à vampiros astrais. Entregar-se à uma vivência sexual desmedida pode trazer danos à essa energia sagrada que é a energia sexual e de nossa energia como um todo;

"Sexo é energia de troca entre o fluir de dois sistemas de energia. Sexo é a troca de poder, um dando ao outro e um recebendo do outro.
Sexualidade é uma expressão que move a força sexual, que permeia e absorve, que impulsiona e acolhe, que funde e separa. É um processo de vincular, de tornar um com o outro. A mais alta expressão do ato sexual acontece quando o seu Eu Superior funde-se com o seu parceiro. A baixa expressão do ato sexual acontece quando é praticado meramente para alívio físico ou interesse que não seja o amor.
O sexo pode ligar os corpos físico, emocional, mental e espiritual num só corpo. Através dessa conexão com a sexualidade que forças profundas de sentimento dentro de nós se encontra com o Grande Espírito dentro de nós."


Preceito e mediunidade
"– Se o sexo é benéfico e divino, porque tenho de fazer preceito no dia do trabalho e nos rituais?"
Porque quando nos relacionamos sexualmente com alguém, há uma troca intensa de energia, conforme dito acima, além do desgaste físico. Não é nada relacionado à impureza, mas sim, a uma outra energia misturada à sua, por mais positiva que seja. Para os trabalhos, é recomendável que haja, sim, abstinência para que a energia do médium se afinize perfeitamente à energia do Guia. Além disso, nossa vibração estará inteiramente focada no trabalho a ser realizado, além da "cabeça estar firmada" somente nesse propósito (e não no prazer sentido, na lembrança do ato). Outro fator é o cansaço pós gira; nada de energia drenada além da conta.
Além disso, para outros rituais o preceito também se faz necessário para que os elementos envolvidos possam agir com todo o potencial, além de facilitar a transmutação feita pelas Entidades.


Amor, respeito e bom senso
Toda união deve ser pautada em amor, respeito e consentimento. Bom senso, como eu canso de dizer aqui no blog, é regra. Pedofilia e outros distúrbios sexuais são atos de violência, assim como agressões sexuais. Não correspondem à Criação, não correspondem ao Amor, ao Respeito e à Lei Divina. Nenhuma argumentação é válida para tais atos.
"O que é bom e faz bem ao ser humano é amar e ser amado de uma forma saudável. Onde, como e com quem, é da conta apenas de quem está amando, e ninguém além de você mesmo pode saber onde encontrar este amor. Todos são livres para trocar carinho e afetividade, que faz bem para a saúde emocional, psicológica, hormonal e afetiva. O amor não tem sexo, a alma tem uma natureza, mas somos todos livres para trocarmos amor com quem queiramos.
Quem ama não agride!"



Nada feito com amor e respeito pode ser mau visto. Elimine seu preconceito, discuta sobre este assunto com outras pessoas. E deixe sua opinião aqui nos comentários!

Axé!


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Fontes:

- Recomendo o curso Sexualidade e Mediunidade ministrado no site Umbanda EAD. Não está disponível no momento (na data desta postagem), mas a plataforma costuma trazer cursos antigos de volta.
- Recomendo um estudo mais aprofundado sobre as questões de gênero e sexualidade.

terça-feira, 22 de março de 2016

Sexualidade e Gênero na Umbanda: Parte 1

Sexualidade e Gênero na Umbanda: Parte 1 Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
Esse é um tema polêmico mesmo nos dias de hoje. Sabemos que a Umbanda não segrega ninguém, e isso pode se comprovar na própria Carta Magna da Umbanda, itens 7 e 14, respectivamente:
"7. A Umbanda é uma religião sincrética fruto da cultura religiosa de três segmentos: branco do elemento europeu, colonizador; negro – escravizado na África para laborar na terra e o indígena que já ocupava esta terra, portanto, não admite qualquer forma de preconceito, discriminação ou intolerância" e "14. A Umbanda será sempre uma casa de portas abertas para todos". Certo?
Mas ainda resta explicar melhor sobre as formas de identificação de gênero e as orientações sexuais. Acredito ser um assunto mais abrangente e que deve ser discutido, então venho hoje explicar esses aspectos, dentro do meu conhecimento atual (baseado apenas em leituras e conversas) amparada por textos umbandistas e educacionais. Separei em duas partes pra não ficar muito grande e cansativo. Vamos lá!


Gênero
Os gêneros feminino e masculino são muito mais do que simplesmente nascer com órgãos sexuais femininos ou masculinos. Ser mulher é se identificar como mulher, e ser homem é a mesma coisa. Quando você nasce sendo de um gênero x e se identifica com esse gênero x, tudo é mais fácil perante a sociedade, mas nem sempre é assim. Repare que aqui estamos falando apenas sobre gênero e não sexualidade.
Desta forma, temos as pessoas:

Cisgênero: significa 'do mesmo lado'. A pessoa cis é aquela que reivindica ter o mesmo gênero que o que lhe registraram quando ela nasceu. Sendo assim, a mulher cis é aquela pessoa que nasceu e foi registrada mulher e se reivindica mulher. O homem cis é aquela pessoa que nasceu e foi registrado homem e se reivindica homem.

Transgênero: significa 'além de', também é usado por muitas pessoas como abreviação para transexual e por outras para transgênero. Trans é aquela pessoa que se reivindica com um gênero diferente do que lhe registraram - há também quem diga que nesse grupo abarca-se as pessoas com papel de gênero divergente do imposto de acordo com sua identidade de gênero. A mulher trans ou transexual é aquela pessoa que nasceu e foi registrada homem porém se reconhece mulher, e vice-versa. 

Identidade de gênero não tem nada a ver com roupas e cirurgias de troca de sexo. Ser mulher e identificar-se como homem não quer dizer que esse homem sentirá atração por mulheres. Muitas vezes, o homem trans se vincula emocionalmente com homens, ainda que sua identidade de gênero seja diferente daquela identificada em seu nascimento, por exemplo.

"– Ah! Mas é complicado... O que devo fazer?"
Nada. Você não precisa fazer nada. Ser cis ou trans é uma questão pessoal, você precisa apenas respeitar. No terreiro, como médium de uma corrente, você respeita, só isso. Se o Paulo se identificar como pessoa trans e quiser ser chamado de Ana, você a tratará como mulher (porque a pessoa se identifica como mulher) e usará o nome que a mulher deseja, Ana.
Você, como sacerdote, fará tudo isso e ainda tratará de romper preconceitos dentro (e fora) do seu terreiro, estudando e disseminando os conceitos corretos.
Respeito é regra na vida!

"– Eu não aceito isso em meu terreiro!"
Então você não aceita o fundamento básico da Umbanda de receber a todos sem distinção, não aceita o que aprendeu com a espiritualidade e não aceita a vida como ela é.
Você pode achar esquisito? Pode. Você pode achar confuso? Pode. Mas não pode desrespeitar essa pessoa e lhe tolher direitos, jamais. Não se esqueça que o corpo é apenas uma casca, nós não somos corpo. Somos alma.

No aspecto social, temos o sistema de preconceitos e privilégios de um sexo sobre outro, mas isso não se aplica na Umbanda, ou não deveria se aplicar. Perante a espiritualidade reina a igualdade dos gêneros; não importa se à frente de um terreiro está um homem ou uma mulher, ou ambos. Não importa se uma corrente tem mais mulheres do que homens, e vice-versa. Apenas importa o propósito pelo qual àquele terreiro foi fundado. Os fundamentos da Umbanda são respeitados? A caridade fala mais alto que a vaidade e o orgulho? Todos estão ali, em amor e respeito a Deus, Orixás e Guias Espirituais? Se a resposta for sim, está tudo certo. Não existe regra de comportamento nem subordinação da mulher cis ou trans.
Ou como eu disse, não deveria existir.
Qual é a diferença entre um Caboclo e uma Cabocla? Exu e Pomba Gira? Repare que em todas as linhas de trabalho temos os dois gêneros, o feminino e o masculino. Toda Preta Velha faz o que um Preto Velho faz. Toda Pomba Gira faz o que um Exu faz.
Aliás, a Pomba Gira é vista como o símbolo máximo do feminino e do poder de igualdade de uma mulher. A Pomba Gira surgiu como forma de resistência em uma época que a mulher era ainda mais subjugada. Perceba que a própria Umbanda planeja suas linhas de trabalho de forma a promover a igualdade e reduzir o preconceito.


Sexualidade
A sexualidade é algo que independe de gênero. A maioria das religiões pregam que um homem só deve se relacionar com uma mulher, e qualquer coisa diferente disso é pecado, é uma anomalia.
Na Umbanda, possuímos o conhecimento de que se um relacionamento é construído em cima do amor e do respeito, é válido, embora saibamos que nem todos os adeptos pensem assim. Vale notar que o sufixo correto é dade (que remete à qualidade, estado) e não ismo (que remete à doutrina, doença, sistema político). Desta forma temos:

Heterossexualidade: aquele que sente atração e afeição pelo sexo oposto.

Homossexualidade: aquele que sente atração e afeição pelo mesmo sexo (gays e lésbicas). Para o espírito Emmanuel, “a homossexualidade é a tendência do ser para a comunhão afetiva com outro ser do mesmo sexo... A "inversão‟ não é somente quanto ao relacionamento sexual. Trata-se de vínculo emocional e afetivo”.

Bissexualidade: aquele que sente atração e afeição por ambos os sexos.

Assexualidade: ausência de atração sexual, independente do sexo. O que não inclui falta de afeição. O sentimento de amor e a atração sexual não estão necessariamente associados. Por isso, da mesma forma que muitos praticam relações sexuais sem amarem seus parceiros, é possível amar alguém sem que se queira relacionar-se sexualmente com a pessoa, e é caso que ocorre muitas vezes com os assexuais.

Precisamos entender que as preferências sexuais do outro não nos diz respeito. As pessoas têm medo/raiva de uma coisa que sequer as atinge. Se você é contra as relações homossexuais, por exemplo, não se relacione com pessoas do mesmo sexo, é simples. Como falei mais acima, respeito é regra e usurpação de direito é crime. Além de que nenhuma orientação sexual define caráter e moral.
A conduta dos demais membros de um terreiro deve ser a mesma, dentro e fora do terreiro. Novamente (porquê reforçar nunca é demais): respeito é regra na vida.


Gênero e Sexualidade se escolhe?
Não. Já se nasce com uma identificação específica para um gênero (sem necessariamente corresponder com o sexo de nascimento) e uma orientação sexual.
Algumas correntes de estudo da espiritualidade afirmam que nós, antes de nascermos, além de estarmos cientes de nossa missão e de vislumbrarmos alguns aspectos de nossa vida, podemos escolher algumas particularidades visando a evolução da pessoa enquanto encarnada. Dentre elas, a sexualidade. Mas perceba que o espírito, uma vez encarnado, possui essa particularidade a lhe acompanhar por toda a vida.
E entrando no campo da lógica... Quem escolheria ser segregado, hostilizado pela sociedade, somente pelo bel prazer da polêmica? Quem sacrificaria desejos e afeições reais só para provocar o sistema? Quem escolheria sentir na pele o repúdio e a violência de uma sociedade intolerante que caminha ainda tão devagar na reforma do pensamento tradicional e patriarcal?
É só pensar.

Na próxima postagem continuamos esse assunto. Enquanto isso, deixe aí nos comentários sua opinião!
Axé!

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Fontes:
- Recomendo o curso Sexualidade e Mediunidade ministrado no site Umbanda EAD. Não está disponível no momento (na data desta postagem), mas a plataforma costuma trazer cursos antigos de volta.
- Recomendo um estudo mais aprofundado sobre as questões de gênero e sexualidade.
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