quinta-feira, 10 de março de 2016

Vaidade Mediúnica

Vaidade Mediúnica Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução/Google
A vaidade mediúnica está mais presente nos templos de Umbanda do que se pode imaginar. Ouso dizer que são poucos os membros de uma corrente que são completamente isentos de qualquer vaidade.  E é claro que os Guias sabem disso, não pense que eles fazem vista grossa perante nossos defeitos. Mas é como li num texto uma vez, se um Guia "expulsar" um médium de um terreiro por conta disso, talvez não sobre nenhum.
Justamente por sabermos disso é que precisamos por a mão na consciência regularmente, entender nossas ações e corrigi-las. Na Umbanda, a evolução precisa ser constante. Não importa o ritmo, o importante é ir caminhando, sempre.
Sendo assim. deixo aqui alguns questionamentos para reflexão:

– Você acha que os seus Guias são melhores do que os dos outros?
– Classifica os Guias entre "fortes" e "tranquilinhos"?
– Refere-se a seu Guia como SEU mesmo, tem posse?
– Fica bravo quando um Guia seu não faz algo que, para você, seria o certo diante de uma situação x (no caso de médiuns conscientes)?
– Sente um prazer misto de orgulho em saber que trabalha com um Guia cujo nome é conhecido na Umbanda (como Jurema, Maria Padilha, Tranca Ruas, Zé Pelintra)?
– Trata os médiuns iniciantes com desdém e/ou sarcasmo?
– Se diverte quando alguém da corrente comete um erro?
– Acha que ser filho de Ogum é melhor que ser filho de Omolu, por exemplo?
– Só tem respeito pelas entidades dos dirigentes (e não pelas entidades de qualquer pessoa)?
– Só aparece no terreiro pra trabalhar e não ajuda em quase nada (considerando que você não possui nenhuma limitação física)?
– Se sente inferior limpando o terreiro que faz parte?
– Acha que seu Guia não chama a atenção o suficiente (não "trabalha bonito")?
– Sente que seus dirigentes não lhe dão a liberdade necessária para todo o potencial que você acredita possuir?
– Quando um irmão da corrente é elogiado e você não, você se sente injustiçado e fica bravo?
– Acha que é mais evoluído porque estuda mais que outros irmãos?
– Estuda o máximo que pode mas não compartilha nada (no fundo por medo de que os outros saibam mais que você)?
– Pensa que você, que faz muito pelo seu terreiro, é mais merecedor de bênçãos que seu irmão, que, na sua opinião, faz pouco pela casa?
– Se sente poderoso por ter mediunidade?
– Se sente mais evoluído espiritualmente por ser umbandista (e médium de incorporação)?
– Acredita ser o condutor da salvação das pessoas através da religião de Umbanda?

E complementando...
É importante lembrar que a vaidade, quando exacerbada, altera o canal de comunicação e a recepção das energias dos Orixás e Guias do médium. As manifestações vão se tornando cada vez mais rasas, até o médium estar, talvez inconscientemente, praticando a mistificação; tomado pelo hábito da incorporação, sem mais sentir o mesmo que sentia antes, passa a ter o controle dos atendimentos.
Sim, a vaidade atinge mais frequentemente os médiuns iniciantes, e é normal se sentir deslumbrado com todas a novidade que a Umbanda proporciona. É aí que entra o trabalho do dirigente, que com toda a paciência e seriedade, mostrará o caminho correto para esse filho. Mas, nós bem sabemos da quantidade de médiuns experientes sendo alimentados pelo ego inflado também, anos à fio, em toda sua vida mediúnica. Não permita que a vaidade transforme sua mediunidade, uma ferramenta de evolução, em um veículo de engrandecimento do ego, da degradação espiritual.
Sejamos sempre instrumentos de caridade com humildade, respeito e muito amor. É só isso que os Orixás e Guias esperam de nós.

Orai e vigiai!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Religião e Incoerência

Religião e Incoerência Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução / Google
Sempre vejo umbandistas reclamando sobre a atitude de pessoas de outras religiões com relação à nossa. Também vejo umbandistas criticando outras formas de crença, desdenhando e criticando seus fieis.
Quem nunca criticou nadinha sequer sobre alguma igreja evangélica?
Quem nunca criticou dogmas da igreja católica?
Quem nunca pensou que a Umbanda é a mais correta das religiões?
Quem nunca...?

Bom, esse post vai pra todos os Umbandistas mesmo, porque acho que não escapou unzinho desses e outros questionamentos.
E eu espero que todos entendam que quando eu faço essas postagens de reflexão/"descida de lenha", eu me incluo em todas. A minha intenção é que isso também seja um tapa na minha cara, pra que eu melhore no que faço de errado e evite errar no que faço certo. 

Então vamos lá:

– Ser umbandista não te faz melhor que ninguém. Não te torna mais evoluído por ter algum conhecimento sobre a espiritualidade, não te torna mais sensato, não te torna absolutamente nada;
– Não existe religião mais correta e perfeita. Todas elas tem o propósito de religar-se à Criação, de explicar a espiritualidade com base numa crença específica e de auxiliar as pessoas em sua evolução espiritual. Do contrário é seita e talvez tenha objetivos obscuros, que não trazem nada de bom a seus seguidores;
– Existem pessoas boas e más dentro das religiões (qualquer uma). Religiosos não são automaticamente boas pessoas por conta disso;
– Pensar, então, que ateístas são más pessoas também não faz o menor sentido;
– Você deve respeitar qualquer tipo de manifestação religiosa, incluindo a não-religiosidade;
– Nem todo ateu teve uma experiência religiosa ruim, então não tente arrastá-lo para a Umbanda acreditando que ele "ainda não viu o que é bom de verdade";
– Não adianta ficar bravinho quando um evangélico critica a Umbanda se você também critica os Evangélicos;
– Em 90% dos casos nunca é o diabo e/ou a kiumba o causador de males na sua vida, mas sim consequências das escolhas que você faz;
– Não critique o uso constante da saia de uma evangélica se toda sexta feira você só veste branco em respeito a Oxalá;
– Preceitos existem em todas as religiões;
– Se alguma religião se vale de uma doutrina exigente e você não concorda com isso, está tudo bem. Vai ter alguém que concorda e viva isso, e você não tem que interferir nisso;
– Criticar o Candomblé por utilizar o sacrifício animal e consumir alimentos/vestuário de origem animal não faz sentido algum. No Candomblé, o animal é muito bem cuidado e quando sacrificado, é feito de forma limpa e da forma mais indolor possível. Todo o animal é aproveitado, sua carne alimenta a comunidade. A carne do dia a dia (bem como o leite e outros alimentos) e o vestuário de pele legítima foram produzidos de forma cruel, desumana, visando apenas o lucro das grandes corporações (uma rápida pesquisa na internet prova isso);
– Criticar quem polui o meio ambiente e fazer oferenda com garrafas, latas, potes e outros materiais não é coerente;
– A caridade não acaba no terreiro, tampouco é a única forma de fazê-la na Umbanda;
– Respeitar o livre arbítrio alheio é pra todas as horas, e não apenas nas que convém;
– Reclamar da pouca visibilidade da Umbanda e na hora da apuração do Censo ou de conversa entre amigos dizer que é de outra religião por medo ou vergonha, não ajuda em nada. A Umbanda precisa de voz, de aceitação social, de adeptos engajados na desmistificação dos conceitos criados pelos preconceituosos (por isso, também, é tão importante estudar e conhecer a nossa religião);
– Todos seremos cobrados pelos nossos erros. A Lei Maior agirá com justiça e sabedoria sobre todos, ninguém será aliviado por motivos de religião (portanto, se converter para ser salvo não adiantará muita coisa rs).


Fanáticos religiosos existem aos montes, na Umbanda não seria diferente. Façamos todos uma reforma mental; antes de julgar, devemos nos avaliar. Refletir. E como sempre, usar e abusar do bom senso!

Paz e luz!


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Texto: Umbandista em Extinção

Texto: Umbandista em Extinção Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução / Google
Achei esse texto no Facebook, numa página sobre Umbanda. Resolvi compartilhar aqui no blog para que se torne um lembrete para todos nós, para que nunca esqueçamos da simplicidade da Umbanda. Para que nunca esqueçamos do que é realmente importante - ter humildade.

"Se você, ao entrar em um terreiro, pede licença e saúda os assentamentos e firmezas da casa;

Se você, ao ficar diante de um Preto Velho se ajoelha e pede sua benção;

Se você, ao se afastar de um guia ou do altar, sai de costas e permanece de frente para o altar;

Se Você, ao conversar com uma entidade, se curva e abaixa o olhar em sinal de respeito;
Se você, ao tomar um passe, agradece de coração a entidade que o atendeu;
Se você, ao ganhar de um guia um gole de sua bebida, pega sempre o copo com as duas mãos;
Se você, ao ser convocado para um trabalho difícil, não se envaidece e se prepara com amor;
Se você, ao ser corrigido por seu Pai/Mãe de Santo não se enfurece, mas entende que é para sua evolução;
Se você, ao encontrar seu Pai/Mãe de Santo, toma sua benção, seja onde for;
Se você, ao cantar determinados pontos de Umbanda ainda se emociona como no início;
Se você, ao perceber um erro de alguém, não critica, mas procura orientar da forma adequada;
Se você, ao não entender um ensinamento ou doutrina, questiona, pergunta, ao invés de fingir que entendeu;
Se você, ao ouvir comentários desnecessários dentro do terreiro os ignora e não se envolve;
Se você, ao faltar em uma gira ou em algum trabalho, pede desculpas aos seus Guias por sua falta;
Se você, ao fim de um culto ou trabalho fica feliz e ansioso pelos próximos compromissos;
Se você, ao invés de priorizar as amizades com irmãos de santo, prioriza a casa que o desenvolve;
Se você, ao se sentir fraco, busca a ajuda de sua casa ao invés de se afastar dela;
Se você, ao presenciar algum problema em sua casa, não se omite e toma as devidas providências, mostrando-se atuante;
Se você, preocupa-se tanto com o seu próprio desenvolvimento quanto com o dos outros;
Se você, tem respeito e amor verdadeiro por sua casa e entende o quão é difícil em vários momentos mantê-la...

PARABÉNS POR SUA POSTURA, MAS CUIDADO, VOCÊ É UM UMBANDISTA EM EXTINÇÃO."


Autor: Divilio Fioravante Neto

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Incorporação fora do Terreiro

Incorporação fora do Terreiro Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução / Google
Este é mais um assunto polêmico que venho abordar. Corresponde ao que eu acredito e ao que eu já vivenciei.
A esmagadora maioria de médiuns e sacerdotes condena, absolutamente, a incorporação fora do terreiro - e quando digo fora do terreiro quero dizer fora do terreiro que se faz parte, então isso envolve também outros terreiros, além é claro, de ambientes comuns.
Uma coisa na qual me baseio pra qualquer atividade da Umbanda é bom senso, com uma boa pitada de cuidado; pra isso não é diferente.
Então vamos lá: pode incorporar fora do terreiro? Se você quiser, pode sim. Mas o mais importante a considerar é: eu preciso incorporar fora do terreiro?

Em outros terreiros
No caso de um terreiro que você está visitando, é importante averiguar a situação. Antes de mais nada, verifique se nessa casa você pode incorporar (a maioria não permite incorporações de recém chegados, o que eu concordo absolutamente). Uma coisa é quando o Guia diz para você descarregar, e então você decide se quer ou não. Se for, entretanto, um terreiro parceiro, que os sacerdotes se conhecem e executam atividades juntos, a incorporação será liberada, até mesmo os atendimentos. Isso porque os médiuns já são ativos em suas respectivas correntes e já estão acostumados aos atendimentos. Médiuns iniciantes/em desenvolvimento possuem mais limitações, e isso é para o bem da própria energia do médium (independente de qual terreiro seja).
Outra coisa é averiguar com o seu sacerdote, muitos não permitem nem as visitas a outros terreiros. Cada um tem sua forma de dirigir uma casa e suas impressões pessoais. Se você está numa corrente, é essencial levar em consideração as recomendações de seu dirigente, embora, é claro, você deva perguntar o porquê caso não possa fazer alguma coisa. Qualquer dirigente sério, responsável e transparente responde a questionamentos numa boa, e ainda incentiva que isso seja feito.
E por último, mas não menos importante... Qual a necessidade de incorporar? Consultou seus Guias, o que eles dizem sobre isso?
Eu acredito no seguinte: há casos e casos. O terreiro que faço parte é irmão/parceiro de outro terreiro, em outra cidade. Nos visitamos quando podemos, e quando isso acontece, incorporamos e atendemos. Nós temos a chance de auxiliar pessoas de outro lugar, e eles também. Confiamos uns nos outros e na seriedade do trabalho que cada terreiro executa. Se não fosse assim, provavelmente não faríamos isso.
Converse com seu dirigente, pergunte tudo o que quiser saber e saiba como tudo funciona. É a sua casa!

Em lugares comuns
Lugares comuns, nesse caso, é qualquer lugar que não seja um terreiro. E é aí que a coisa complica.
Primeira coisa a avaliar: real necessidade. Porque, principalmente no começo da vida mediúnica, a gente quer trabalhar o tempo todo, viver intensamente a Umbanda e experimentar tudo, mas nem sempre é saudável e seguro. Para tanto, você pode se valer de uma oração, um benzimento. Você, como médium, tem condições de chamar por seus Guias enquanto reza e canta, pedindo pela pessoa que precisa de ajuda. Concentre-se, reze com todo o coração. Deixe que a Entidade te guie a executar movimentos e rezas, sem, no entanto, incorporar. Conhecemos o poder da reza, das mãos que curam, de um pedido com fé. Funciona em 99% dos casos!
Mas ainda tem o 1%, e essa pequena fatia pode realmente estar precisando de um Guia incorporado, sem frescuras. Aí tem outras coisas a se considerar.
Quando é o próximo trabalho? Quase sempre dá pra esperar.
Aonde você está? Está sozinho? Se estiver acompanhado, essa pessoa está preparada para sustentar a situação? O lugar pode ser preparado, você tem ferramentas? O que vai acontecer com sua energia?
Existem muitos fatores que levam à não-incorporação.
O que eu digo sobre isso é o seguinte: eu já realizei atendimento fora do terreiro. Estou bem viva e sabia o que estava fazendo, mas ainda me questiono se era realmente necessário. 
O desgaste energético é maior, pois você não terá o amparo da egrégora de um terreiro de Umbanda. Não terá a tronqueira e o assentamento principal para te resguardar de influências negativas. Não terá o amparo de outros médiuns e cambonos caso algo dê errado. A escolha é sua.

Então, resumindo: é possível incorporar fora do terreiro? Claro.
Posso fazer isso? Se você quiser, sim.
É seguro? Nem sempre.
Mas pode haver casos especiais que necessite disso? SIM. São casos raros, mas pode acontecer sim. Então, considere bem a situação. Ficou inseguro? Então nem começa! Deixa pra atender no terreiro, que é o lugar certo.
O mais simples e correto é entrar em contato com seu dirigente, explicando o caso e pedindo ajuda. Às vezes, a pessoa pode ser deslocada para o terreiro naquele momento, com a licença, amparo e toda a firmeza de seu sacerdote. É preciso avaliar a situação, sempre.


Paz e luz!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ritual Fúnebre na Umbanda

Ritual Fúnebre na Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução / Google
Assim como em outros rituais importantes em nossa vida, a Umbanda tem um método próprio para conduzir o ritual fúnebre de um irmão que deixa esse mundo.
Esse texto eu copio de uma publicação no site Umbanda, eu curto!, por achá-lo muito completo e explicativo, com pequenas alterações para fins de formatação. É claro que podem haver diferenças de terreiro para terreiro, cada sacerdote pode ter seu próprio modo de fazê-lo, se algum dia o fez. E digo "se o fez", porque muitos adeptos da religião de Umbanda (incluindo seus médiuns e sacerdotes), acabam recorrendo à religião católica para realizar batizados, casamentos e a encomenda do corpo. Desta forma, muitos sacerdotes nunca realizaram esses rituais, embora saibam (ou possam aprender) como realizá-los.
Segue, então, o ritual integral:

O funeral umbandista é dividido em duas partes: purificação do corpo e do espírito, que acontece somente com a presença do Sacerdote, ajudante e um parente, e depois a cerimônia social para encomenda do espírito realizada no velório e no túmulo.

Primeira Parte: Purificação (realizada ainda no necrotério, antes de vestir e preparar o corpo)
– Purificação do corpo com incenso: Primeiro ato para a purificação energética do corpo físico e do espírito que na maioria das vezes ainda está próximo ao corpo. Caso não esteja, o corpo é seu endereço vibratório e onde estiver o espírito o mesmo receberá esta purificação. As ervas queimadas na brasa propagam através do ar suas qualidades purificadoras e imantadoras do espírito;

– Purificação do corpo com água consagrada: É o mesmo que água benta; neste momento cria-se uma diluição de qualquer energia material ainda presente no corpo e no espírito do desencarnado;

– Cruzamento com a pemba consagrada: Neste ato se faz uma cruz na testa, garganta, peito, plexo, umbigo e costas das mãos e pés para desligar qualquer iniciação ou cruzamentos feitos na encarnação desobrigando o espírito a responder aos iniciadores do plano físico, que desta forma se neutraliza;

– Cruzamento com óleo de oliva consagrado: Repete o ato de cruzamento acima e também cruza o ori (coroa) para que libere do chakra coronário qualquer firmeza de forças purificando o espírito e o livrando de qualquer chamamento por alguém que se acha superior querendo prejudicar o desencarnado;

– Aspergir com essências e óleos aromáticos: Aspergir todo o corpo para criar uma aura positiva e perfumada em volta do espírito, protegendo-o de qualquer entrechoque energético.



Segunda Parte: Cerimônia (realizada no velório e no enterro)

– Apresentação do Falecido: Alguma pessoa escolhida irá ministrar algumas palavras positivas sobre a vida e a pessoa do desencarnado;

– Palavras sobre a missão do espírito que desencarna: Explicações do Sacerdote sobre a vida eterna e o conceito de pós-morte;

– Prece ao Divino Criador Olorum (Deus);

– Canto a Oxalá: O Sacerdote com a Curimba entoa uma música em louvor a Oxalá, caso o desencarnado seja umbandista;

– Hino da Umbanda;

– Canto a Obaluayê: O Orixá das passagens é louvado para que receba e encaminhe o desencarnado;

– Canto ao Orixá Regente do desencarnado: Caso seja umbandista;

– Despedida dos presentes na cerimônia: Os presentes se despedem do falecido;

– Fechamento do Caixão;

– Transporte do corpo ao cemitério;

– Enterro do corpo: Após o caixão ser colocado na cova, o Sacerdote assopra uma fina camada de pó de pemba consagrada para proteção etérica do desencarnado e após isto se cobre com a terra;

– Cruzamento da cova onde o falecido foi enterrado: Após o túmulo ser fechado, o Sacerdote cerca o mesmo com pó de pemba criando um círculo protetor à sua volta e acende quatro velas brancas formando uma cruz, sendo uma na cabeça do tumulo, outra no pé, outra na esquerda e outra na direita. Este procedimento é para garantir a proteção do corpo e do espírito para que não seja profanado por espíritos malignos.


Vale lembrar que embora sintamos saudades e estejamos tristes pela partida de um ente querido, devemos nos lembrar que esse é apenas o final de um ciclo e o início de outro. O espírito desse irmão necessita saber que seus entes queridos estarão bem após sua partida, para que ele próprio possa completar sua passagem de forma tranquila.

Comentários explicando sobre outras ritualísticas serão muito bem vindos, compartilhe conosco!
Saravá!

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Fontes:

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Tatuagens na Umbanda

Tatuagens na Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Reprodução / Google
As tatuagens são, hoje em dia, muito populares mas ainda dividem opiniões; e as religiões são geralmente as principais responsáveis pela proibição.
É reconhecido de que já na pré-história existiam indícios da existência de povos que cobriam o corpo com desenhos. Os antigos guerreiros tinham nas cicatrizes motivos de orgulho e honra, já que era um sinal de força e vitória - e assim o homem passou a desenvolver formas de tatuagem (com tintas vegetais) para a marcação voluntária de seu corpo como forma de identificação. Cristãos possuíam símbolos que os identificavam, assim como guerreiros e grupos de qualquer finalidade. Mesmo escravos e prisioneiros eram marcados para que seus senhores os reconhecessem.
Obviamente, o sentido da tatuagem foi se modificando e hoje em dia já não é mau visto como antigamente (embora ainda haja rejeição por parte da sociedade), pois deixou de ser vista como algo sujo e que remeta à criminalidade. Hoje as tatuagens são utilizadas para expressão pessoal, e grande parte são verdadeiras obras de arte. 
Como dito, muitas religiões proíbem seus adeptos, como o Cristianismo em geral. Não é o caso da Umbanda, do Candomblé e de muitas religiões indígenas (que inclusive utilizam a pintura corporal como parte da ritualística e identificação da hierarquia de seus adeptos).
A Umbanda, por si só, não proíbe ninguém de absolutamente nada. O que pode haver é a opinião de um sacerdote, que possa, através de suas impressões pessoais, orientar seus filhos a não fazer determinada coisa - mas aí é necessário explicar o porquê e jamais proibir - no final, sempre existirá o livre arbítrio.
Desta forma, não há motivos dentro da religião de Umbanda para que a tatuagem seja proibida; cada um faz se assim quiser. Seu corpo é seu templo, é a morada de seu espírito, então apenas você sabe o que é bom para si, e só a ti pertence o direito de fazer com ele o que bem entender - em todos os sentidos. 

A Umbanda não faz objeções para desenhos de qualquer espécie - muitas vezes eternizamos em nossa pele o amor por um livro, filme, série, banda, time de futebol ou qualquer outro elemento terreno. O mesmo ocorre para as homenagens a Orixás (como a tatuagem de Yemanjá desta postagem), Guias e outros símbolos de nossa religião. O que necessita de cuidado e bom senso são os pontos riscados e símbolos/selos sagrados em geral; se é algo indicado e que existe uma explicação bem fundamentada para tal, se é para fins de proteção ou por outro motivo que, de qualquer forma, será feito com grande respeito.
E é bom lembrar que os pontos riscados da Umbanda são portais - evocam energias para os mais diversos fins. Por mais que sejam benéficos, riscá-los deliberadamente pode trazer complicações para controla-los.
É preciso tomar cuidado também com símbolos mágicos de natureza obscura. A primeira vista são muito legais, mas seu verdadeiro significado pode trazer complicações para a vida de quem as têm cravado em si. Nós Umbandistas bem sabemos o poder de um símbolo, certo?
Por isso é importante pesquisar a fundo sobre um símbolo antes de tatuá-lo em nosso corpo. Bom senso é regra na vida.

No mais, a coisa é bem simples: se te causar desconforto e/ou constrangimento, não faça. Se você quiser e se sentir feliz, faça!
Saravá!

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Fontes:

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sacerdotes de Umbanda

Sacerdotes de Umbanda Umbanda Wiki
Imagem: Zilméa e Zélia, filhas carnais e sucessoras de Zélio
de Moraes. Editada com enquadramento / TENSP 
Muito se diz sobre sacerdotes na Umbanda.
Já vi coisas muito estranhas sobre sacerdotes e sacerdotisas, pessoas que se acham acima do bem e do mal e tem seus estranhos atos justificados pela função que a espiritualidade lhe conferiu.
CALMA LÁ!

Sacerdotisa e sacerdote, mãe e pai de santo, yalorixá e babalorixá, dirigentes, enfim. Os responsáveis pela casa são médiuns experientes dentro da religião que foram preparados para este fim, possivelmente porque demonstraram interesse em se tornar pai/mãe e principalmente, porque a espiritualidade já o vem preparando pois o sacerdócio é parte de sua missão na religião.
E nem vou citar os pseudo-sacerdotes que cobram por atendimento, intimidam e fazem mau aos outros porque isso não corresponde à religião de Umbanda.

O coroamento do médium
O coroamento acontece quando a espiritualidade permite, geralmente após sete anos de trabalho de incorporação ativa na Umbanda. O médium já foi batizado e já passou por outros rituais da casa a qual faz parte. Já aprendeu muita coisa e continua aprendendo. Absorve diariamente os ensinamentos de seus sacerdotes e procura aprender sempre mais.
O coroamento é um ritual que, conforme varia de casa a casa, torna apto aquele médium de assumir a liderança de uma casa já existente ou uma que ele próprio irá abrir.
Existem sim sacerdotes que não foram coroados por um outro sacerdote ou sacerdotisa, mas possuem os atributos necessários e principalmente, foram abençoados pela espiritualidade. Fazem um trabalho sério da mesma forma que os coroados.
A diferença é que com o coroamento, o médium tem sua coroa mediúnica mais bem protegida (o que o não-coroado também terá com o tempo), tem a bênção e o preparo direto de seus Orixás e Guias e o próprio médium se sente mais confiante, além de ter sido orientado por um sacerdote/sacerdotisa experiente sobre o dia a dia do terreiro, rituais e outras preparações. Além de outras etapas que eu ainda não conheço pessoalmente, mas sei que são essenciais.


Características de um dirigente
Tal como no mundo dos negócios, a Umbanda não permite mais "chefes", e sim líderes. Pais e mães que respondem um questionamento com "porque sim" já não são mais vistos com bons olhos. Um bom sacerdote está sempre aprendendo com a espiritualidade para passar a informação pra frente. Dirigentes que fazem segredo com rituais, não explicam nada e somente mandam estão sendo deixados por seus filhos.
Um bom dirigente:

- É proativo, sabe que um médium ou adepto da Umbanda nunca pára de aprender, então busca, por si próprio, se reciclar. Revisa antigos conceitos, aprimora rituais e aprende coisas novas;
- É humilde, respeita a vontade da espiritualidade e reconhece outros sacerdotes como iguais;
- Sabe que independente da hierarquia do terreiro, cada filho merece ser tratado com igual amor e respeito, e a todos dedica igual atenção;
- Segue à risca o que foi dito pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas: aprende com os que sabem mais e ensina os que sabem menos. Não tem medo de compartilhar seus conhecimentos;
- Está sempre disposto a sanar dúvidas de seus filhos e da comunidade umbandista em geral, e se não sabe a resposta do que foi perguntado, busca entender para poder enriquecer seu conhecimento e para poder responder de forma correta a quem perguntou;
- É humano e como tal, imperfeito. Mas busca viver a vida de forma a ser um exemplo para seus filhos;
- Pratica a Umbanda dentro e fora do terreiro;
- Possui compaixão e empatia, está ao lado de seus filhos não só na vivência umbandista, mas também nos problemas da vida;
- Sempre cumpre com sua palavra;
- É responsável e sério com os rituais de sua casa. Sabe que cuidar da mediunidade de outra pessoa, auxiliando-a a desenvolver e ter controle para caminhar por si só, é algo delicado;
- Sabe que ser pai/mãe é algo que transcende seu terreiro. Mesmo que seu filho seja coroado e abra sua própria casa, você sempre estará por perto para quando seu filho precisar, e aprenderá com ele;
- É o primeiro a chegar na casa e o último a sair. Não se sente diminuído por limpar o chão e não se envaidece quando seus filhos pedem a sua bênção;
- É responsável e sério com sua religião.


Cursos online e estudos presenciais
São úteis e de grande ajuda. Eu apoio os cursos online e os estudos presenciais, pois o estudo na Umbanda (seja ele da forma que for) é essencial. Mas é importante frisar que cursos de sacerdócio e outros cursos específicos NÃO FORMAM sacerdotes aptos a comandarem uma casa. Somente a experiência aliada ao conhecimento com a permissão da espiritualidade é que torna o médium um dirigente.
Certificados de cursos não valem de absolutamente nada para a espiritualidade.


Papel social e limitações
Ao contrário dos sacerdotes católicos que não podem se casar e possuem diversas outras limitações, os sacerdotes umbandistas possuem uma vida absolutamente normal. Se casam e tem filhos se quiserem, trabalham com o que preferir e vivem a vida conforme sua verdade, podendo tomar uma cervejinha no fim de semana e frequentando festas como qualquer outra pessoa. Assim como os adeptos da religião, sua cor, sexo, orientação sexual, condição financeira e social e preferências pessoais pouco importam para se tornar um dirigente - basta ter amor, responsabilidade, comprometimento e preparo.
O dirigente deve, no entanto, por em prática os ensinamentos de sua religião e ser um agente vivo daquilo que prega. Sempre.

Salve a coroa de todos os dirigentes da Umbanda!
Saravá!
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