terça-feira, 16 de junho de 2015

Linha de Caboclos

Linha de Caboclos
Imagem: Caboclos e caboclas da Umbanda. Editadas em conjunto / Google

A Linha de Caboclos é regida pelo Orixá Oxóssi, mas cada Caboclo ou Cabocla vem na irradiação de um ou mais Orixás, pois eles próprios são filhos de determinado Orixá e perante outros Orixás foram iniciados para trabalharem em Seus Mistérios.
Os Caboclos são espíritos muito esclarecidos e caridosos, assim como os Pretos Velhos. Tiveram encarnações como cientistas, sábios, magos, professores, etc., sendo alguns, realmente indígenas. No decorrer de suas encarnações e enquanto espíritos, elevaram-se e trabalham na Umbanda para auxiliar aos irmãos enfermos da alma e do corpo. Muitos são escolhidos pela Espiritualidade para serem os Guias Chefes dos Terreiros ou então de seus médiuns. Na linguagem comum, a palavra “caboclo” designa o homem nativo, às vezes mestiço de branco com indígena, mas na Umbanda o significado é outro. Os espíritos que se apresentam na Umbanda como Caboclos assumem a forma plasmada de índios em homenagem aos povos nativos do Brasil e de outras regiões do globo (como os xamãs), que nutriam uma forte relação de amor e de respeito à Natureza e muito contribuíram com seus conhecimentos e valores morais e culturais para a formação da nossa Pátria. Em seu arquétipo temos os mais sérios e calados, mas temos também os mais "suaves" e falantes. Muito depende, em parte, do Orixá ao qual é regido, mas não podemos nos esquecer que cada espírito, independente de um arquétipo generalizado da linha, tem suas características próprias.
Rubens Saraceni explica que, há séculos, houve um momento em que os Regentes Planetários idealizaram uma estrutura de Trabalho Espiritual que reuniria espíritos desencarnados originários das mais diferentes religiões e culturas do planeta, arregimentados a partir de determinado grau espiritual, ético, moral e de conhecimentos. Formaram-se grupos por afinidades (de valores culturais e morais, de especialidades, etc.), porém todos voltados a um único propósito: ajudarem-se mutuamente na tarefa de auxílio à evolução de encarnados e desencarnados em geral. Com isto, também aceleravam as próprias evoluções, pois estavam realizando algo inédito até então; os desencarnados se agrupavam no Astral conforme suas origens aqui na Terra, e ajudavam apenas aos “da sua gente”. Agora, a Espiritualidade punha em prática um verdadeiro Universalismo, reunindo num trabalho comum representantes de todas as religiões e crenças antigas, muitas já desaparecidas da face do planeta. Com o tempo, levas e levas de espíritos que desencarnavam puderam se filiar àqueles grupos. Então, os Regentes Planetários idealizaram uma religião que atuasse no plano da Terra, por meio desses espíritos de índole universalista. O local escolhido foi o Brasil, país que estava destinado a receber povos de todas as origens e crenças. A religião idealizada foi a Umbanda, que mais tarde o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas trouxe ao plano material, manifestado no médium Zélio Fernandino de Moraes. Assim, criaram-se as Linhas de Trabalho por especialidades de atuação, sendo que as primeiras homenageavam os povos formadores da nossa cultura: nativos (Caboclos) e africanos (Pretos Velhos). Portanto, os espíritos que atuam na Umbanda como Caboclos têm origens culturais e religiosas diversas, e nem todos foram indígenas (assim como nem todo Preto Velho foi um Negro escravizado).
O que lhes dá o título de Caboclo é o seu grau de elevação perante as Leis do Criador.  São espíritos que habitam da 4ª Esfera Vibratória Positiva para cima e que trazem no íntimo um profundo senso de Fraternidade e Irmandade para com toda a Criação Divina. Dentro da Linha de Caboclos há, portanto, espíritos com diferentes graus de elevação. Fato que explica toda uma hierarquia, onde encontramos:

- Aqueles que deram nome às Falanges e que não incorporam (habitam na 7ª e 6ª Faixas de Luz, onde já não têm um corpo plasmado, são apenas Luz);
- Outros, vindos da 4ª e 5ª Esferas Positivas, e de diferentes graus, que se integram nas Falanges (e Sub-falanges etc.) e se manifestam entre nós; sendo todos eles mais adiantados e elevados que seus médiuns. 

São espíritos evoluídos que optaram por apresentar-se dentro do arquétipo do homem nativo, aquele que sempre viveu em contato direto com a Natureza e que já trazia consigo um profundo senso de amor e respeito por todos os seres e elementos à sua volta (terra, água, plantas, animais, pedras, etc.) e de harmonia com todas as forças e fenômenos naturais (sol, lua, chuva, dia, noite, estações climáticas etc.).
A presença dos Caboclos nas Giras de Umbanda nos leva a refletir sobre a importância do meio natural que nos acolheu e nos ajuda a compreender que somos parte da Criação Divina e, por isso mesmo, precisamos viver em harmonia com o Todo. Eles são um exemplo de forma de vida simples, natural, livre de preconceitos e artifícios, de arrogância e de vaidade. Sua atuação junto de nós é libertadora, própria daqueles que evoluíram. Caboclos e Pretos Velhos manipulam ervas de todos os Orixás porque têm essa autorização e conhecimento, conforme o grau elevado que os distingue. Existem Falanges de doutrinadores, de guerreiros, de “feiticeiros” (isto é, que atuam mais fortemente na quebra de magias negativas), de curadores, de justiceiros etc. Os Caboclos são profundos conhecedores das ervas e dos seus princípios ativos. Suas “receitas” (banhos, defumações, oferendas, etc.) costumam produzir curas inesperadas. Conhecem como ninguém o Reino Vegetal e podem nos ensinar o valor e a melhor utilização das ervas e dos alimentos vindos da terra. Também grandes conhecedores da Magia, nos seus trabalhos costumam utilizar pembas, velas, essências, flores, ervas, pedras, frutas, vinho, sumo de ervas, raízes, cipós e sementes, entre outros elementos. Usam charutos e fumos à base de ervas para defumar o ambiente e as pessoas presentes, recolhendo e neutralizando as cargas densas que os envolvam.
Sua forte carga magnética nos impulsiona a ir em frente, a enfrentar os obstáculos com coragem e determinação. Porque Caboclo é o arquétipo do guerreiro corajoso, valente, simples, honrado, justo e harmonizado com as Forças da Mãe Natureza. Pela simples presença entre nós, quando incorporados em seus médiuns, já nos imantam com essas fortes energias e nos estimulam a conseguir nossos objetivos. São “caçadores”, vão buscar e nos ensinam a buscar o melhor para a nossa evolução. Grandes doutrinadores e disciplinadores, são muito atuantes na orientação de sessões de desenvolvimento mediúnico, uma vez que os Guias Espirituais agem principalmente sobre o mental do médium, que está relacionado ao Chakra Frontal, regido por Oxóssi, justamente o regente dos caboclos.
Também atuam nas desobsessões, na solução de problemas psíquicos e materiais, na quebra de demandas, entre outros trabalhos espirituais de Umbanda, utilizando vários recursos magísticos nos quais são iniciados. Não ostentam conhecimentos, colocam em prática.

Seus assobios e brados assemelham-se a mantras. Cada Caboclo emite um som, de acordo com o trabalho que vai realizar, criando condições que facilitem a incorporação e liberando bloqueios energéticos dos médiuns e consulentes. Os assobios traduzem sons básicos das Forças da Natureza, dão um impulso no campo magnético (corpo espiritual) do médium para direcioná-lo corretamente, liberando-o de cargas negativas, larvas e miasmas astrais. Nos consulentes, produzem igual efeito.
Os Caboclos incorporados também costumam estalar os dedos, bater no peito e estender o braço na direção do Altar. Tudo isto tem um significado magístico-religioso:

- Estalar dos dedos: Nossas mãos têm vários terminais nervosos que se comunicam com os sete chakras principais e com os chakras menores do nosso corpo. O estalar dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (a parte gordinha da palma da mão) e reequilibra a rotação e a frequência de todos os chakras, que voltam a funcionar plenamente. O equilíbrio vibracional gera a consequente descarga de energias desequilibradas (“negativas”). Ao estalar os dedos, o Caboclo provoca essas reações no campo magnético do médium ou, conforme o caso, descarrega o campo do consulente. Ao estalar os dedos da mão esquerda, ele absorve negatividades e faz uma limpeza energética; e quando estala os da mão direita, ele irradia cargas altamente positivas e reenergiza, acalma, cura etc.
- Bater no peito: Com isso, o Caboclo ativa o chakra cardíaco do médium e equilibra suas emoções, possibilitando uma sintonia mais apurada com o medianeiro e a efetivação de um bom trabalho espiritual.
- Estender os braços (ou um braço) para o Altar: Com esse gesto, o Caboclo lança uma “flecha energética” que ativa os Poderes e Forças assentados e firmados no Terreiro, conforme a necessidade do trabalho espiritual a realizar.

A linha de Caboclos está integrada à tríade da direita na Umbanda, formada por Caboclos, Pretos Velhos e Erês.


Símbolos de representação da linha: Penas, arco e flecha.
Cores: Geralmente a do Orixá correspondente, mas as mais comuns são: verde, marrom, vermelho, azul, amarelo e branco.
Ferramentas: Machadinhas, arco e flecha, lanças, chocalhos, cabaças, etc.
Flores: As do orixá correspondente ou flores da preferência do Caboclo.
Comidas: As do orixá correspondente ou comidas da preferência do Caboclo.
Bebidas: Cerveja branca, cerveja preta, uísque, chá, água, etc.
Fumo: Charutos, cachimbos, fumo com ervas na palha, etc.
Pontos de Força: O do orixá correspondente ou o ponto de preferência do Caboclo.
Saudação: Okê Caboclo!

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Fontes:
Adaptação do texto original postado no site Instituto Cultural Sete Porteiras do Brasil.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Quem é Jesus na Umbanda?

Quem é Jesus na Umbanda?
Imagem: Jesus Cristo. Reprodução / Google
Esse post é dedicado aos umbandistas... E a todas as pessoas que se interessarem pelo assunto.
Esse texto representa a minha opinião. Ninguém é obrigado a gostar, e sobretudo, ninguém detém a verdade.

Esses tempos atrás vi um vídeo do sacerdote Marcel Oliveira do Templo Mãe Divina falando sobre Jesus e fiquei pensando nisso, em bolar um texto com minha opinião também.
Aí agora, com todo esse rebuliço de "profanação da imagem de Jesus na cruz", resolvi fazer esse texto.

Antes de começar, preciso enfatizar: Jesus não é Oxalá. Assim como São Sebastião não é Oxóssi, Nossa Senhora Aparecida não é Oxum, e por aí vai. Essa é uma sincretização, devido a Oxalá possuir qualidades muito semelhantes a de Jesus Cristo. Pára aí.
Mas então, quem é Jesus na Umbanda?
Em todo terreiro que já fui ou vi fotos, sempre vi um elemento em comum: uma imagem ou símbolo que remeta a Jesus. Seja um quadro, uma imagem de gesso, uma cruz (que não necessariamente esteja ligada a Omolu), um sagrado coração, enfim. Mas é uma figura que muitas vezes pode ser esquecida. Entre tantas louvações a Deus, aos Orixás e aos nossos amados Guias que nos protegem, às vezes nos esquecemos de Jesus e no que ele significa na Umbanda. Não que precisemos louvá-lo o tempo todo, mas precisamos nos recordar sempre do significado.
Em parte, credito esse """afastamento""" às igrejas evangélicas mais intolerantes. É como vi o youtuber PC Siqueira dizendo, alguns evangélicos acham que são donos de Jesus, e dessa forma, somente eles podem falar sobre, somente eles entendem seu real significado. Jesus abençoa/ama/salva somente aos evangélicos.
Ou ainda, quando vimos alguém falar de Jesus que não seja católico ou evangélico, certamente pensaremos que é espírita kardecista. Jesus é maior que as religiões, assim como Olorum, Orixás e Guias (muitos deles atuam em mesas brancas sob outras roupagens fluídicas, em cultos de Jurema, etc.). E Jesus não fundou religião alguma.

A Umbanda tem em si elementos de religiões afro, cristãs e indígenas. A Umbanda é, portanto, cristã. Claro que nossa visão de Cristo é diferente das demais religiões, mas cremos nele. Temos nele - a partir dele - os valores mais fortes da Umbanda: amor e caridade. Lembramos dele, muitas vezes, para entender o dia a dia do terreiro, a dinâmica do auxílio.
Independente de como você pense nele, no que você acredita ou não (referente à milagres e estilo de vida), é sabido que Jesus é um dos espíritos mais ativos no trabalho à humanidade. É um grande mestre, um trabalhador incansável que olha pelo Universo assim como tantos outros mestres ascensos que conhecemos.

- Se você acredita no Jesus da Bíblia, operador de todo o mistério da morte, ressurreição e vida plena como um ser isento de qualquer pecado bíblico, ótimo.
- Se você acredita em Jesus sendo um grande médium, porém um homem comum, que em vida pode ter experimentado experiências terrenas, não deixando de ser, entretanto, um espírito elevadíssimo, ótimo.
- Se você acredita em Jesus sendo apenas "um cara de bem" que pregou "sentimentos legais" e acabou "ficando famoso" por isso, ótimo.

Acho que a forma como vemos Jesus não importa muito, se soubermos absorver seus exemplos. Exemplos estes que são essenciais para a Umbanda! Por isso vemos imagens e símbolos nos terreiros; para que não nos esqueçamos nunca de seus exemplos, de seus ensinamentos. Praticar a caridade, respeitar o próximo, ser humilde, vigiar somente a si mesmo...
Escolhi a imagem dessa postagem com base no que penso sobre Jesus: ele foi, em vida, um homem simples, como eu e você. Não trajava vestes da nobreza, talvez nem possuísse uma beleza estonteante; mas seu coração era imenso e sua bondade ultrapassava qualquer elemento terreno. Era um homem bom que dedicou sua vida à ajudar o próximo e espalhar amor e conforto.
Já diria Jesus Cristo:

"Amai o próximo como a ti mesmo"
Amar. Amar é respeitar, auxiliar. É praticar a caridade sem esperar retorno, pois da mesma forma que fazemos para nós mesmos, se pudermos fazer para os outros, será magnífico. Relaciono essa frase à esta: "Não faça para os outros o que não deseja a si mesmo".


"Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus"

Adianta ir ao terreiro, vestir o branco e trabalhar se você não conseguiu absorver nenhum ensinamento? Se você não conseguiu trazer para sua vida a paz e a evolução?
Adianta ir ao terreiro, esperar para ser atendido, sair de lá e esquecer completamente os ensinamentos passados? Aplicar somente quando conveniente?
Adianta ser Umbandista, dizer que prega o amor, a caridade e a humildade se você é incapaz de espalhar paz e bondade e nunca estender a mão a quem precisa?

"Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos"
É a lei do retorno, sempre mencionada pelos Guias. Não devemos julgar cor da pele, orientação sexual, condição financeira, deficiência física ou qualquer outro fator. Não devemos julgar comportamentos, estilos de vida e o que quer que seja. O dedo que você aponta agora, será apontado a você mais tarde. Somente Olorum pode vigiar nossa vida, corrigir nossos deslizes, com o auxílio consentido de Orixás e Guias. Quem guarda a Lei Divina é Ogum, e quem falhar com a Lei que se entenda com Ogum. Quem guarda a Justiça Divina é Xangô, e quem falhar com a Justiça que se entenda com Xangô. 

"A boca fala do que está cheio o coração"
Fale de coisas boas, espalhe positividade. Encha seu coração de bons sentimentos. Livre-se das fofocas, julgamentos, inveja e discórdia. Seja positivo e passe isso pra frente.

Não importa que sua evolução seja lenta, apenas evolua. Jesus nunca desistiu; foi julgado, desmerecido, crucificado e morto pelo povo de sua época. Ainda sim nunca deixou de praticar o bem e de melhorar a si mesmo. Mire-se neste exemplo!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A dualidade e os aspectos negativos dos Orixás

A dualidade e os aspectos negativos dos Orixás
Imagem: Representação da Dualidade. Reprodução / Google
Dualidade: é a propriedade ou caráter do que é duplo, do que é dual, ou que contém em si duas naturezas, duas substâncias ou dois princípios.

A dualidade existe em todos os planos da Criação. Têm-se luz e trevas, vida e morte, frio e calor; um aspecto positivo e um negativo.
E nem sempre positivo quer dizer bom e negativo quer dizer mau, são apenas dois polos distintos da mesma face. E o caso é que essa dualidade é inerente à Criação, ou seja, é da essência e é necessário.
Nem todos compreendem muito bem a dualidade (vide Orixá Exu), mas compreendê-la é o primeiro passo para entender os aspectos negativos de todos os Orixás; e as lendas do Candomblé nos ajuda a entender perfeitamente.
Quando os Orixás foram humanizados nas lendas, foi trazido à tona seus aspectos positivos e negativos. Muitas vezes, ao ler uma lenda, ficamos assustados. Como pode Ogum matar toda uma aldeia? Como pode Oxum ter enganado friamente Obá somente para que Xangô ficasse com raiva dela e voltasse toda a sua atenção a Oxum? Ao ler uma lenda de Orixá, é necessário ter em mente a dualidade que rege a Criação, e perceber que para tudo existe o equilíbrio, e o equilíbrio depende de nós mesmos. Todos temos luz e trevas dentro de nós, mas escolhemos qual das duas deixamos agir.
Os Orixás irradiam até nós, o tempo todo, sua energia divina. O que fazemos dela é outra estória, conforme falei brevemente na postagem Afinal, quem são os Orixás?. Percebo, hoje, que a "energia perfeita" do Orixá (citada nessa antiga postagem) carrega essa dualidade, mas que de fato, pode sofrer alterações.
Quando rezo para os Orixás, peço para que irradiem seus aspectos positivos e neutralizem seus aspectos negativos, conforme me ensinou um grande amigo e sacerdote umbandista. Percebo assim, que os Orixás estão irradiando em mim toda a sua energia, mas na verdade, me ajudarão a neutralizar seu aspecto negativo - porque este, acredito eu, é um trabalho de cada um nós (embora recebamos auxílio dos Guias para lidar com esses excessos).
O fator positivo dos Orixás engrandece nossa essência, melhora nossa vibração e evolui. O fator negativo altera nossa vibração e atrai sentimentos negativos, até mesmo eguns.

Abaixo, alguns aspectos negativos da personalidade dos filhos de cada Orixá:

Filhos de Oxalá
Usam a falsidade como defesa, são muito apressados, sarcásticos, mentirosos, fúteis, hipocondríacos e gostam de intrigas e fofocas. São lentos, meticulosos, reacionários e exclusivistas. Mal-humorados e teimosos.

Filhos de Oxóssi
Extremamente ciumentos e às vezes inseguros. Egoístas, vaidosos (ao ponto de acharem que são melhores em tudo) e às vezes medrosos. São chegados ao nascisismo, querem sempre chegar primeiro e falar mais alto. Misteriosos, comodistas, feiticeiros e, de certa forma, avarentos, mas gastam muito naquilo que lhes convêm. Dominadores e muito rancorosos.

Filhos de Iansã 
São vingativos, difíceis de perdoar e se aborrecem facilmente. Chantagistas, mentirosos, gostam de intrigas. Extremamente agitados e confusos. Possessivos, ciumentos e dominadores. Atrás da meiguice se esconde um forte veneno. Podem falar demais e revelar segredos.

Filhos de Ogum
Vorazes, gananciosos e abusados, os filhos de Ogum não têm misericórdia. Não perdoam falhas, nem as suas próprias. São sábios para enredar e criar polêmicas e intrigas; confusos, muitas vezes. São rudes e extremamente exigentes e seu ponto preferido para o ataque é o coração. Impiedosos e malvados. Ostentam um grande valor de poder e grandeza, mesmo que na verdade não os tenha. Arrogantes, gananciosos e temperamentais.

Filhos de Xangô
Exigentes, são vingativos e não perdoam uma falha. Acham que só eles mesmos são capazes de realizar algo. Impiedosos, tem o prazer de fazer sofrer. Por falar demais não sabem guardar segredos. Se acham os donos da verdade, tornam-se arrogantes e autoritários.

Filhos de Yemanjá
Demasiadamente exigentes, quando com raiva, destroem uma pessoa com um simples olhar. Quando ofendidas perdoam, mas jamais esquecem. Cruéis e egoístas, se acham donos da verdade. Dramáticos e fatalistas, se irritam facilmente e sofrem demais por tudo. Muito materialistas.

Filhos de Oxum
Chantagistas, choram para ter a piedade dos outros. São dramáticos, matreiros, debochados, possessivos, exigentes, ciumentos e autoritários. Gostam de palpitar sobre os problemas alheios, adoram criticar. Fúteis e consumistas.

Filhos de Nanã
Impacientes, reacionários e muito mal-humorados. São ranzinzas e rabugentos, não aceitam críticas (especialmente dos mais novos) e reclamam de tudo. Rancorosos, remoem problemas antigos durante muito tempo, se não os fazem por toda a vida.

Filhos de Omolu
Rabugentos, ranzinzas, são do tipo nervosos e ansiosos, vingativos, jamais esquecem uma ofensa. Pessimistas, depressivos, teimosos e mal-humorados. Pensam que só eles sofrem verdadeiramente, nada está bom o suficiente e reclamam de tudo.


Parece terrível, não é? Mas quando nos analisamos friamente percebemos que talvez tenhamos muitos desses defeitos. E não existe problema algum em tê-los! Somos humanos e imperfeitos, mas temos (sim!) a obrigação de melhorar continuamente. E é aí que entra o nosso livre arbítrio e nosso esforço em buscar sempre o equilíbrio interior, buscando as qualidades de todos os pais e mães Orixás.
Saiba que virar um Buda pode ser muito chato, mas o controle é necessário para uma boa vivência com o mundo e as pessoas próximas. A não ser, é claro, que você ostente com orgulho os excessos de seus pais Orixás... Aí não há muito o que fazer.
Entenda a dualidade, entenda os Orixás... Mas principalmente, entenda a si mesmo!


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Fontes das características dos filhos de Orixás:
Site: Nova Era
Site: OrixásRS
Site: Candomblé Filosófico

terça-feira, 26 de maio de 2015

Batismo na Umbanda

Batismo na Umbanda
Imagem: Reprodução / Google
Falarei hoje sobre o batismo na Umbanda. Não o batismo de bebês (este será abordado posteriormente) mas o batismo de médiuns ativos e filhos (não médiuns).
Este batismo não significa que você está sendo rebatizado ou substituindo seu batizado quando bebê; este batismo possui um significado diferente, é um ritual de iniciação próprio da Umbanda.

Como é: para médiuns
É a primeira etapa da vida mediúnica do médium. É no batismo que o médium se confirma filho da Umbanda e inicia sua trajetória. O médium descobre seus pais Orixás (os dois ou somente o de frente), o que por si só já é o ponto alto do ritual, já que a partir daí o filho começa suas firmezas, oferendas e passa a então a se conectar mais profundamente com sua própria mediunidade. Além disso tem seu chakra coronário lavado com água pura, partes do corpo cruzadas com pemba consagrada, orientações do Guia Chefe, entre outras ritualísticas que podem ser específicas de cada terreiro. Em algumas casas ainda é dado o amaci.

Como é: para outros filhos da religião
O batismo para não médiuns funciona como um rito de entrada, uma confirmação aos que adotaram a Umbanda como sua religião e querem se integrar à ela mais profundamente. Os filhos descobrem seus pais Orixás e tem seu chakra coronário lavado com água pura. Não são todas as casas que realizam esse tipo de batismo.

Descobrindo os Orixás
O método para a descoberta dos Orixás de cada filho pode variar de casa para casa. Muitas casas se valem do jogo de búzios, outras do jogo de fitas coloridas na cabeça (cada fita na cor de um Orixá). Em outros casos, o Guia Chefe da casa revela diretamente.

O Otá: o início do assentamento pessoal dos médiuns
O otá é uma pedra retirada de um ponto de força da natureza. O filho vai até um ponto de força e mentaliza encontrar seu otá (uma pedra vai chamar mais atenção do que as outras). Assim que o otá for identificado, o filho pede licença ao Orixá regente deste campo para que possa retirar a pedra. Se estiver perto de água (cachoeiras, rios, mares, minas), é necessário lavar o otá e pedir para que a partir de então aquela seja sua pedra de conexão com seu Orixá, mesmo que não se saiba quem é ainda. Se não tiver água no ponto de força (matas, pedreiras), é preciso levar água mineral para que o otá seja lavado no local onde foi encontrado. Depois de feito, agradecer por ter encontrado e por ter permissão de levar consigo. Então, o otá é embalado em algum pano de cor clara (preferencialmente branco) para que não toque em outros objetos contaminados. Só deve ser manipulado novamente no dia do batismo.
Rubens Saraceni indica o mesmo procedimento, levemente diferente, em uma de suas obras; clique aqui para ler.
Algumas casas indicam o Otá para não-médiuns também, podendo haver diferença no fundamento, entretanto.

Local
O batismo é feito na cachoeira, no mar ou no próprio terreiro. Se for realizado no terreiro, entretanto, é necessário que haja água pura.

Elementos do ritual
Os elementos também podem variar de casa pra casa, mas em geral são: água, alfazema líquida, uma toalha branca, pemba branca, fitas e/ou búzios, velas, etc.

Preceito
Preceito significa aquilo que se aconselha fazer ou praticar; regra, ensinamento: os preceitos da religião.
 Ação de prescrever; norma ou mandamento.
É comum em diversas religiões, e devem ser seguidas para um resultado eficaz daquilo que se irá fazer. Na Umbanda não é diferente.
Embora o preceito já seja utilizado no dia a dia dos trabalhos (como tomar banho de ervas, evitar relações sexuais, etc.), existem alguns preceitos específicos para alguns rituais, como no batismo.
Os preceitos podem variar também de casa pra casa, mas o que é regra para todo batismo é abster-se de bebidas alcoólicas, relações sexuais e todo tipo de carne durante determinado tempo (a ser determinado pelo sacerdote ou Guia Chefe). Ainda é necessário fazer um banho de ervas. Algumas casas podem ainda estabelecer outros quesitos, mas esses são os básicos. 

Quando ser batizado
O filho de fé deve manifestar a vontade de ser batizado, mas acontecerá somente quando a espiritualidade permitir.

Oferendas
Após o batismo, os filhos devem oferendar seus pais Orixás em agradecimento. Deve-se, posteriormente, oferendá-los pelo menos uma vez ao ano.

Bom senso e amor
Antes de qualquer coisa, deve-se ter certeza do que quer. O batismo deve ser feito com muito amor e aceitação, já que é um dos rituais mais bonitos e significativos da Umbanda. Todo filho acolhido pela Umbanda deve, a partir daí, honrar sua religião e jamais se esquecer dos compromissos firmados.

Saravá!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Orixás na Umbanda: Exu

Orixás na Umbanda: Exu
Imagem: Orixá Exu. Reprodução / Google
EXU
(Odara, Elegbara, Bará)


Exu é o mais controverso dos Orixás por não ser plenamente entendido. Não é demônio nem deve ser temido por sua dualidade.
Na Umbanda não é regente de ori (cabeça, coroa), mas é cultuado direta ou indiretamente nos terreiros. Têm-se a linha de esquerda regida por Exu, Guias que representam sua atuação, mas Exu Orixá tem grande importância dentro da Umbanda.
Exu é o mensageiro que leva os pedidos das pessoas aos outros Orixás e traz suas respostas (é o comunicador, a ponte entre os homens e os Orixás), mas é também um Orixá com outras funções definidas, tendo culto e domínios próprios, ainda que na Umbanda isso seja feito, na maioria das vezes, indiretamente. Uma de suas atuações é absorver, vitalizar e neutralizar os seres.
Exu é o dono das encruzilhadas, e entende-se que encruzilhada é o encontro de duas realidades, de duas verdades diferentes, tais como: matéria/astral; razão/emoção; luz/trevas; ou, literalmente, pode ser o encontro de dois caminhos. Esta é a representação do ponto de força de Exu, a dualidade. Exu está em todos os caminhos, em todos os lugares e passagens, e não apenas na encruzilhada de rua, de terra, ou de mata. Todos os pontos que marcam a entrada e a saída de uma realidade são pontos de firmeza e de manifestação de Exu. É ele quem mantem a Lei e a Ordem, por isso tem grande afinidade com Ogum. É vitalizador, absorvedor, magnetizador, fertilizador. Rege a sexualidade (reprodução e vigor) e a magia.
Seu cetro fálico representa o vigor masculino, a vitalidade. Suas cabaças representam o útero, o poder realizador feminino. Entende-se que vigor, realização e vitalidade são necessárias em todos os campos da vida, não apenas no sexual.

Exu é o primeiro a receber oferendas no Candomblé, costume muito presente nos terreiros de Umbanda (firma-se primeiro a tronqueira para depois firmar o congá).
Nos livros “Lendas da Criação” e “Orixá Exu”, ambos de Rubens Saraceni encontra-se uma explicação do porquê de Exu ser o primeiro a receber oferendas. Imaginem um momento anterior à Criação.
No Princípio, a ideia da Criação existia apenas “no íntimo” do Criador. (Ou, como está na Bíblia: “No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.) Deus ainda não havia “exteriorizado” a Criação. Tudo existia apenas no Íntimo do Criador. Em torno da morada interior do Criador só existia “o Vazio”. Então, desde o Princípio, esse “Vazio” cerca e protege toda a Criação. E Exu é o Orixá Regente do Vazio. Tudo quanto seria construído por Olorum iria ocupar esse Vazio e dependeria da concordância de Exu. Então, os Orixás deram a primazia a Exu, pois do contrário nada poderiam construir. Num segundo momento, e para receber a Criação que Olorum iria exteriorizar, foi criado o Espaço, este regido por Oxalá, o Senhor das Formas. E Oxalá só pôde
criar o Espaço com a concordância de Exu, pois o Espaço foi criado em cima dos domínios de Exu. Só depois da criação do Espaço por Oxalá, em cima do Vazio de Exu, é que tudo pôde ser criado, inclusive a humanidade. E é por isso que Exu deve ser o primeiro a receber oferendas.
Não importa quem foi o primeiro Orixá a ser criado, porque todos são atemporais e pré-existiam
em Olorum. Mas o Vazio é anterior a tudo. Exu guarda e protege tudo o que cerca a Criação (por isso Exu fica sempre do lado de fora). Quem não respeita os seus domínios não respeita o Sagrado. E para entrar no Sagrado, primeiro passamos por Exu. Daí que Exu é o primeiro a receber oferendas.
E é daí, também, que vem a expressão "Sem Exu não se faz nada".

Exu, como qualquer outro Orixá, como divindade e trono de Deus, deve ser respeitado. Pode ser cultuado diretamente sim, sem medos e preconceitos. Exu só deve ser temido se o filho estiver em atraso com a lei, se estiver burlando a ordem divina em prol de si próprio. Exu é o grande cobrador.

“Exu ironiza a vida, ri da desgraça, dança sobre o fogo e domina a ilusão, principalmente aquela que nos envolve pelo ego, materialismo e vaidade. Ele domina todos os sentidos do apego, conhece nossas vaidades e vícios. Talvez por isso seja considerado o mais humano dos Orixás e passa a ser o mais “temido”, pois quando Exu se mostra “igual a nós” ele nos assusta, simplesmente porque quer nos mostrar a dualidade humana, que hora nos leva para a luz e hora nos puxa para as trevas. Céu e Inferno, tudo ao mesmo tempo em nossa mente, o maior juiz. Exu joga e brinca com todos estes valores e por isso ele assusta uns e faz temer a outros; no entanto é tão Orixá quanto Oxalá e as lendas mostram o quanto ele pode ser amigo, fiel, querido e até servo (mas não serviçal), pois é também senhor da magia, dos caminhos, das encruzilhadas, das portas e passagens, é quem permite a comunicação. E também é bem como mal, tanto amigo quanto inimigo, luz e trevas, Céu e Inferno. Exu é Vazio e cada um de nós escolhe com quais valores preenche este Vazio”.

Irradiação: Vitalização
Função: Vitalizador, absorvedor
Cores: Preto e Vermelho
Chakra: Umbilical
Elemento: Telúrico, ígneo
Ferramenta: Ogó (bastão em formato fálico com cabaças)
Símbolos: Tridente, ogó
Sincretização: Santo Antônio
Dia comemorativo: 13 de Junho
Dia da semana: Segunda-feira
Pontos de Força: Encruzilhadas, lugares de terra
Pedras: Rubi, carvão mineral, granada
Metais: Nenhum específico
Animais: Bode, cabra, cão
Ervas: Pimenta, casca de alho, casca de cebola, açoita cavalo, dandá, pinhão roxo, arruda, urtiga, amendoeira, amoreira, figueira do diabo, aroeira, azevinho, cajueiro, cana-de-açúcar, catingueira
Flores: Cravos e rosas vermelhas
Frutas: Limão, amora, pitanga, frutas ácidas em geral
Comidas: Carne vermelha, farofa apimentada no dendê, miúdos de frango, cebolas 
Bebidas: Aguardente, vinho tinto
Saudação: Laroyê!


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Fontes:

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Orixás na Umbanda: Omolu

Orixás na Umbanda: Omolu
Imagem: Omolu. Reprodução / Google
 OMOLU
(Obaluayê, Xapanã)

Omolu é o orixá curador. Sua atuação principal é na transmutação de energias. É o Orixá que rege a morte e o instante da passagem do plano material para o espiritual (desencarne). Guarda para Olorum todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais. Muitos o associam apenas à ideia do orixá curador, “o médico sagrado da Umbanda”, que ele realmente é... Mas Omolu representa mais que isto: Ele é o senhor das passagens de um plano para outro, de uma dimensão para outra, de um estado ou condição para outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa, pois atua diretamente no processo reencarnatório, como Nanã. É um Orixá que cuida da evolução dos seres, das criaturas e das espécies. É a profundidade da terra, tudo que é gerado dela. As irradiações de Omolu garantem o equilíbrio da Criação.
É também o Guardião Divino dos espíritos caídos. E é preciso muito amor para recolher os caídos, muito amor para não desistir deles. É o Grande Velador da vida e da evolução constante, que atua no silêncio das eras para preservar a vida.

Irradiação: Evolução
Função: Transmutador, evolucionista
Cores: Roxo ou Preto e Branco (no Candomblé: roxo, lilás, preto e branco, amarelo e preto)
Chakra: Básico
Elemento: Telúrico
Ferramenta: Xaxará (espécie de vassoura de fios de palha da costa enfeitada com búzios), búzios
Símbolos: Cruz com três bases, xaxará
Sincretização: São Roque, São Lázaro
Dia comemorativo: 16 de Agosto, 17 de Dezembro
Dia da semana: Terça-feira
Pontos de Força: Cruzeiro da calunga pequena (cemitério), cavernas, chão de terra escura
Pedras: Turmalina negra, ônix, potássio, zinco, pedras roxas em geral
Metais: Chumbo
Animais: Cachorro preto, morcego, porco, tatu, cabrito
Ervas: Alho desidratado, casca de alho, cipó cabeludo, dandá, olho de cabra, orégano, pinhão roxo, valeriana, garra do diabo, picão preto, mamona roxa, urtiga, peregun roxo, chorão, cebola desidratada, casca de cebola, cipó cruz, fumo (tabaco), barba de velho, sálvia, damiana, salsaparrilha, sete sangrias, trapoeraba, sabugueiro flor, beterraba flor, catinga de mulata, ipê roxo, lantana, umbaúba, arroz, velame,
alcachofra folhas, angélica raiz, capim rosário, chapéu de couro, cravo da índia, manjericão, manjericão roxo, noz de cola (obi seco), verbena, beterraba folhas, mirra, folha de fogo
Flores: Crisântemos brancos e lilás, violetas, margaridas, flores do campo roxas
Frutas: Jaca, cajá, morango, amora, uva preta, jabuticaba, figo preto, cereja preta
Comidas: Pipocas no azeite de dendê, coco seco fatiado e regado com mel
Bebidas: Vinho tinto, café puro, café com aguardente, vinho rosê licoroso
Saudação: Atotô!

Características dos filhos de Omolu
Uma das características mais marcantes dos filhos de Omolu é que seus eles parecem ter mais idade do que realmente têm por conta da entidade ser mais velha e agem como se tivessem uma idade bastante avançada. Dizem ainda, que a insatisfação é a principal característica dos filhos deste Orixá. Mesmo que sua vida corra na mais perfeita tranquilidade, eles nunca estão satisfeitos. Podem atingir o ponto mais alto da sua profissão, porém podem deixar ir por água abaixo tudo o que foi planejado durante anos. Nos relacionamentos pessoais, são difíceis de lidar e procuram ter uma vida independente dos outros. 
Quando negativados, os filhos de Omolu são pessoas extremamente pessimistas e teimosas que adoram exibir os seus sofrimentos, daqueles que procuram o caminho mais longo e difícil para atingir algum fim. Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais otimista dos seres; acham que nada pode dar certo, que nada está bom. Às vezes, são doces, mas geralmente possuem manias de velho, como a rabugice, e podem ser muito mal-humorados.
Gostam da ordem, gostam que as coisas saiam da maneira que planejaram. Não são do tipo que levam desaforo para casa e se se sentirem ofendidos respondem no ato, não importa a quem. São amigos de verdade.
O lado positivo da maioria dos filhos de Omolu supera em muito o lado autodestrutivo que todos têm (uns mais, outros menos, mas em geral apresenta-se em todos). São extremamente alegres, perseverantes, pacientes e amorosos, tiram a roupa do corpo para agradar uma pessoa, tratam o dinheiro pelo lado do prazer, da satisfação. Extremamente fiéis a uma causa. A justiça para os filhos de Omolu não é a dos homens e sim a de Deus (Olorun). Muito limpos e vaidosos, ao contrário de muitos arquétipos, são na maioria muito bonitos, se não fisicamente, espiritualmente, e ainda tem grande afinidade pela atração que exercem nas pessoas. Tem uma capacidade mental atualizada ao seu tempo, raramente adoecem e quando acontece se recuperam mais rápido ainda.
As pessoas de Omolu têm a tendência da mudança propriamente dita, para qualquer coisa que desejarem. Trabalhadores incansáveis, os filhos de Omolu numa roça fazem de tudo, apenas não os magoem nem os tratem com indiferença, pois quando ciumentos são capazes de exageros, se sentem incompreendidos e, muitas vezes não sabemos o que lhes causam repentinas depressões. Filhos do Sol e da Terra de Orixá vivo, os filhos de Omolu são maravilhosamente despretensiosos. Um tanto radicais, podem mudar de opinião de uma hora para outra. Também, geralmente, céticos em sua fé, intuitivos, andarilhos e aguçados. Podem ter premonições e seus filhos tem um pensamento de pessoas maduras, o que os ajuda a não agirem como crianças, ou serem irresponsáveis. Gostam da ordem e disciplina.


- Reuni aqui as informações que julgo serem as mais necessárias para nosso culto aos Orixás na Umbanda. Para mais informações, acesse os sites citados abaixo nas fontes de pesquisa.

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Fontes:
Livro: Umbanda: Mitos e Realidade - Iassan Ayporê Pery
Livro: Rituais Umbandistas - Rubens Saraceni
Livro: Orixás na Umbanda - Janaina Azevedo

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Orixás na Umbanda: Nanã

Orixás na Umbanda: Nanã
Imagem: Nanã. Reprodução / Google
NANÃ
(Nanã Buruquê/Buruku)

Nanã é a mais velha de todos os orixás, a soberana das águas. Atua por atração magnética sobre os seres cuja evolução está paralisada e cujo emocional está desequilibrado. Ela os atrai magneticamente para operar um grande processo, que é de dar maleabilidade aos seres, quebrando seus vícios e desfazendo suas resistências e negatividades, e também dissolvendo os medos ou bloqueios inexplicáveis, de fundo inconsciente, e as memórias traumáticas do ser. Atua decantando todo o negativismo que vai se soltando, e o deposita no fundo “do barro” (encontro dos elementos água e terra, que constituem seus domínios), para finalmente, dar estabilidade ao que ficou de positivo em todo este processo, para que o ser retome sua evolução de forma equilibrada, ou seja, é ela a dona de nossa evolução. Nanã acalma e transforma os seres.
É a senhora da vida e da morte, com grande atuação nas reencarnações (já que é ela quem dilui os acúmulos energéticos da vida de um espírito, apaga suas lembranças e adormece todo seu conhecimento, conceitos e sentimentos, para que ele possa viver uma nova vida). Rege a memória e a maturidade dos seres. É o aconchego, a experiência, a sabedoria, a paciência. É a Grande Avó.

Irradiação: Evolução
Função: Decantador, transmutador, evolucionista
Cores: Lilás (no Candomblé: lilás, roxo, rosa)
Chakra: Básico
Elemento: Telúrico, aquático
Ferramenta: Ibiri (cajado curvo feito de hastes da folha da palmeira de dendê), vassoura de palha
Símbolos: Ibiri
Sincretização: Sant’Ana
Dia comemorativo: 26 de Julho
Dia da semana: Sábado
Pontos de Força: Lagos, mangues, pântanos, águas profundas, nascentes
Pedras: Ametista, fluorita lilás, rubelita, sugilita
Metais: Latão, níquel, prata
Animais: Rã, cegonha, garça real, cabra branca
Ervas: Cipó suma, pinhão roxo, chorão, peregun roxo, alfavaca, alfazema, assa peixe, bardana folhas, camomila flor, cana do brejo, capim rosário, confrei, erva de santa maria, mentruz, hibisco flor, mulungu casca e raiz, noz moscada, sete sangrias, trapoeraba, ipê roxo.
Flores: Crisântemo branco e lilás, hibisco, violetas, narciso, begônias, flores do campo lilás e roxas
Frutas: Melão, uva, jaca, figo, graviola, tâmara, amora
Comidas: Mandioca, inhame, batata doce de casca roxa
Bebidas: Champanhe rosado, calda de figo, licor de amora, calda de ameixa escura
Saudação: Saluba Nanã!


Características dos filhos de Nanã
Os filhos de Nanã são pessoas extremamente calmas. No modo de agir, e até fisicamente, aparentam mais idade. São lentas no cumprimento das suas tarefas, parecem ter a eternidade à sua frente. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. Gostam de crianças e as educam com excesso de doçura e mansidão, assim como fazem as avós. São bondosos, decididos, simpáticos, mas principalmente respeitáveis. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
O tipo psicológico dos filhos de Nanã é introvertido e calmo, temperamento severo e austero. Podem até ser um tanto rabugentos, motivo pelo qual às vezes são mais temidos do que amados.
As pessoas que têm Nanã como Orixá de cabeça podem lembrar principalmente a figura da avó: carinhosa, às vezes até em excesso; levam o conceito de mãe ao exagero. Mas também podem ser ranzinzas e preocupadas com detalhes, inclinando-se a censurar os outros. No geral não têm muito senso de humor e tendem a valorizar demais pequenos incidentes e a transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, têm uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fossem muito mais velhas. Por isso, têm uma habilidade natural para perdoar aos que erram e para consolar quem está sofrendo. 
Os filhos de Nanã são um pouco mais conservadores do que o restante da sociedade. Parecem desejar um mundo previsível, estável ou até voltado para trás; reclamam dos novos costumes, da nova moralidade etc. Muito compenetrados e responsáveis, não conseguem entender como algumas pessoas cometem enganos triviais ou como adotam comportamentos e atitudes que lhes parecem evidentemente inadequados. Assim, têm dificuldade em compreender direito as opiniões alheias e em aceitar que nem todos pensem como eles.
No negativo, os filhos de Nanã podem ser teimosos e ranzinzas, daquelas pessoas que adiam muito uma decisão, ou que guardam por longo tempo um rancor. Podem apresentar precocemente problemas de idade, como a tendência a viver no passado, de recordações. Fisicamente, tendem a apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.


- Reuni aqui as informações que julgo serem as mais necessárias para nosso culto aos Orixás na Umbanda. Para mais informações, acesse os sites citados abaixo nas fontes de pesquisa.

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Fontes:
Livro: Umbanda: Mitos e Realidade - Iassan Ayporê Pery
Livro: Rituais Umbandistas - Rubens Saraceni
Livro: Orixás na Umbanda - Janaina Azevedo
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